
Atraso na obra, prevista para durar um ano e meio, provocou graves prejuízos ao comércio local
Leonel de Castro/Global Imagens
Comerciantes desesperados com atraso na empreitada. Câmara do Porto garante compensações financeiras aos lojistas.
É difícil prever por quanto tempo mais Domingos Monteiro, do Talho Ganha Pouco, conseguirá manter as portas abertas. O comerciante de 65 anos da Avenida Fernão de Magalhães, no Porto, queixa-se que as obras naquela rua, que se prolongam já há pelo menos dois meses no troço entre a Rua de Aires Ornelas e a Rua de Nau Trindade, "mataram o negócio". A Câmara do Porto garante que compensará financeiramente os lojistas pelos prejuízos.
A falta de estacionamento e o difícil acesso pedonal aos estabelecimentos agravaram as quebras de receita já provocadas pela pandemia. Muitos dos empresários pensam até encerrar o negócio definitivamente. "Há dias em que não vem ninguém", lamenta Gisela Silva, dona de uma loja de roupa em frente ao talho de Domingos.
Face a este cenário de rutura, a Câmara do Porto garante avançar com compensações financeiras, à semelhança do que aconteceu com os negócios que foram afetados com as obras junto ao Mercado do Bolhão.
"Estão já em curso as assessorias financeiras e jurídicas para a definição de todo o processo", assegurou a Autarquia ao JN.
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Sem clientes
"Não aguento", desabafa Gisela Silva, caso os trabalhos na rua se prolonguem. A comerciante de 39 anos, que está há seis anos à frente da loja de roupa na esquina da Rua de Coutinho de Azevedo, afirma nunca ter vivido dias assim.
"As pessoas não aparecem. Tenho clientes que não são daqui e que nunca mais vieram. Não há onde estacionar nem autocarros perto. É complicado", suspira Gisela que, apesar de acreditar na melhoria da Avenida após a requalificação, receia que "nem todos aguentem".
A conclusão da empreitada, que deverá chegar até à Praça Francisco Sá Carneiro, está prevista para o primeiro trimestre de 2021, mas a Câmara do Porto admite que os trabalhos estão atrasados.
"Verificou-se uma quebra de rendimentos na produção, a qual, por razões técnicas e de segurança, não tem sido possível ultrapassar", afirma a Autarquia, destacando dificuldades com "redes de distribuição elétrica em média e alta tensão, bem como redes hidráulicas de drenagem de águas residuais e pluviais".
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Restaurante histórico
Há 83 anos de portas abertas, o Restaurante Manuel Alves, "um dos mais antigos da cidade do Porto", está com quebras de 70%.
"À noite não entra ninguém", diz o proprietário, Nélson Gomes, de 65 ano. "Os meus clientes já dizem: como é que vou aí ter, se está tudo bloqueado? Estou com medo de não aguentar até ao final do ano", confessa.
