Pai e filho foram "os feiticeiros" que tornaram possível o primeiro espumante em Paredes de Coura

Circunstâncias aparentemente sem ligações resultaram em união para produção de primeiro espumante em Paredes de Coura.
Foto: Ana Peixoto Fernandes
Luís e Manuel Cerdeira, pai e filho, enólogos, criaram o primeiro espumante com origem em Paredes de Coura, com o nome de "Impossível".
O projeto aconteceu fruto de um conjunto de circunstâncias aparentemente desligadas entre si: os cunhados Hélder Pedreira e Wilson Braga resolveram, durante a pandemia, experimentar cultivar vinha num terreno naquele concelho, sem qualquer intuito comercial, e o ex-presidente de Câmara, Vitor Paulo Pereira, foi fazer o curso School of Ceos da Escola de Economia, Gestão e Ciência Política, da Universidade do Minho, onde contactou com os Cerdeira e começou a germinar a ideia de produzir vinho numa terra improvável.
A produção dos cunhados, entretanto, ganhou dimensão e, por intermédio de Vitor, Luís e Manuel foram conhecer e encantaram-se com a uva. Daí nasceu, em vez do sonhado vinho, um espumante a que deram o nome de "Impossível". A primeira edição de três mil garrafas já está no mercado.
"É muito gira a história do 'Impossível' porque quando chegamos cá não sabíamos muito bem que estilo de vinho é que podíamos fazer. E foi desde o primeiro momento que nós provamos as uvas que decidimos: isto tem potencial para espumante", conta Manuel Cerdeira, de 23 anos. "A uva tinha muita acidez, que é o essencial para fazer um espumante. E o que é que fizemos na adega? Modelamos essa acidez em barrica. O espumante é muito fresco, bastante complexo, mas depois tem o redondo da barrica que faz com que fique equilibrado", explica.
"Perfeito para espumante"
O produto é diferenciado devido às características próprias da terra em Paredes de Coura. "Estamos a falar de um território de produção de vinha de limite. Estamos em alta altitude e isso faz com que as uvas não tenham a maturação certa para um vinho normal. O potencial alcoólico é mais baixo, mais ou menos 9,5, o que faz com que seja perfeito para espumante. Podemos depois numa segunda fermentação chegar aos 12%", acrescenta.
A ideia do "Impossível" foi gerada a partir da tese de pós-gradução de Vitor Paulo, mas o ex-autarca refere que os Cerqueira foram "os feiticeiros" que tornaram possível a concretização do projeto.
"Tentaram-nos convencer de que em Coura era impossível fazer vinho. Havia, mas para consumo e a granel, e não havia nenhum projeto comercial, estruturado, com rótulo. E esse é que foi o grande desafio, contrariar esse estigma de que em Paredes de Coura não era possível produzir vinho", comenta.
"Tive a ideia do nome 'Impossível', falei com o Luis e ele disse: 'nem toques mais no nome, é perfeito'. A ideia inicial pode ser maravilhosa, mas se não existirem feiticeiros, tecnologia e conhecimento é mais difícil concretizar os sonhos e aqui foi junto-se o sonho ao conhecimento técnico."
Luís Cerdeira admite que inicialmente o projeto era "algo utópico", mas tudo se conjugou, incluindo o "espírito de inovação" dele e do filho enquanto enólogos, para chegar a bom porto. E o produto com base na casta Loureiro está agora a ter "uma aceitação no mercado muito boa", sendo que o objetivo é crescer. "A parceria vai continuar. Já plantaram mais 4 hectares de vinha e temos um hectare de Alvarinho. Queremos ter também um Alvarinho aqui em Coura", conclui.

