Pais em protesto à porta de creche em Lisboa por alegados maus-tratos aos filhos

Pais denunciam maus-tratos na creche
Foto: Pedro Gomes Almeida
Pais e familiares de crianças que frequentam a Academia Sonhar e Crescer, na freguesia de Carnide, em Lisboa, manifestaram-se esta segunda-feira à porta do estabelecimento, alertando para a existência de indícios de maus-tratos físicos e psicológicos aos filhos.
Francisco Cavaneiro, pai de um menino que está prestes a fazer 2 anos e que, na semana passada, terá alegadamente sido agredido por uma funcionária da creche, sofrendo um traumatismo craniano, foi um dos participantes na manifestação frente à instituição.
"Estamos aqui na creche, os pais todos, já saíram duas funcionárias e o dono está lá dentro. Uma das funcionarias é a agressora. Já fizemos uma participação na PSP, ao Departamento de Investigação e Ação Penal, Comissão de Proteção de Jovens e Crianças, e agora vamos para a investigação criminal", disse Francisco Cavaneiro.

Pais exibem imagens das marcas de agressões aos filhos (Foto: Pedro Gomes Almeida)
De acordo com este pai, o filho entrou no estabelecimento com "seis, sete meses" e nunca, até agora, tinha desconfiado do que se podia passar entre portas. "O meu filho foi alegadamente agredido, viemos a confirmar pelo testemunho de uma ex-funcionaria que nos contou tudo", disse à Lusa, explicando que na semana passada a criança teve de ir ao Hospital da Luz, onde lhe foi diagnosticado um traumatismo craniano.
"Há relatos de funcionários a dizer que ele desmaiou na escola por lhe terem batido, meteram-lhe uma manta por cima", contou, emocionado, lembrando que algumas vezes encontravam "marcas na pele" da criança, mas "nada que levasse a crer no que aconteceu desta vez".
De acordo com Francisco, foi depois deste episódio que os pais se juntaram, com queixas de vários filhos com "arranhões nas costas, arranhões na cabeça, nódoas negras e assaduras".

Foto: Pedro Gomes Almeida
Uma outra mãe, Sofia Guedes, contou à Lusa que a sua filha apenas esteve "cerca de um mês na creche, em 2022", quando ainda se vivia sob a pandemia covid-19 e não foi além do período de adaptação.
"Chegou a casa com a orelha pisada. Questionámos a escola e disseram que tinha sido outra criança. Na altura, não conseguíamos falar com outros pais, mas mandámos um email a apresentar queixa", disse Sofia Guedes.
Agora, disse que os pais falaram e deram conta de que "as desculpas eram sempre as mesmas, tinham sido as outras crianças a empurrar, a morder, a pisar".
"Veio tudo à tona. Temos uma ex-funcionaria do nosso lado que contou o que aconteceu" na creche, que funciona desde o berçário até aos 3 anos.
Sofia Guedes adiantou ainda que a escola já teve vários nomes, que foi uma creche "privada em que se pagava 400 euros e agora há diferentes pagamentos. Uns pais pagam uma coisa e outros outra, sem que seja explicada a razão da diferença".
Segundo Francisco Cavaneiro, a direção quer voltar a abrir a escola na terça-feira, mas assegura que os pais não o perimitirão.
A Lusa tentou entrar em contacto com a direção da escola, sem sucesso até ao momento.
No local, encontram-se vários agentes da PSP e os pais e familiares com vários cartazes com fotografias das crianças mostrando os alegados maus-tratos físicos.
