
Pedro Duarte continua cético em relação ao metrobus
Foto: Igor Martins
Numa altura em que a operação do metrobus já arrancou, Pedro Duarte reafirma que "houve muita falta de responsabilidade" das entidades que geriram o processo. Extensão até à Anémona, em Matosinhos, poderá estar a funcionar antes do início do ano letivo, em setembro.
As declarações surgiram à margem da limpeza dos graffiti de uma fachada, na Alameda das Fontainhas, no Bonfim. O presidente da Câmara do Porto mostrou-se muito crítico relativamente ao estado em que encontrou o processo deste novo meio de transporte, quando tomou posse, no início de novembro.
"Quando chegamos à Câmara do Porto, basicamente não havia nada. Não havia sequer um memorando assinado entre as entidades para perceber como é que se ia operar ou quem ia operar este meio de transporte público. Não fazíamos ideia como é que se ia abastecer os autocarros, onde é que iam aparcar durante o período noturno, quando não estão em funcionamento, nem onde e como seria construída a estação de abastecimento", começou por elencar o autarca, acrescentando que o processo estava na "estaca zero e já deveria estar a funcionar há quase dois anos".
Embora defenda que pôs o metrobus "a funcionar em três meses, um tempo absolutamente recorde", acredita que não é um processo do qual "nos possamos orgulhar enquanto cidadãos". "Isto foi brincar com a vida das pessoas durante demasiado tempo", afirmou Pedro Duarte.
Mais benefícios do que prejuízos
Ainda assim, o dinheiro investido (quase 80 milhões de euros) obriga a que o foco passe por "potenciar o mais possível" o novo meio de transporte. "Continuo a dizer que haveria soluções muito melhores para o transporte público naquela zona, mas a verdade é que já se investiu muito dinheiro. A STCP e a Metro têm feito um trabalho excecional nos últimos dias e semanas para encontrarmos as melhores soluções, de modo a não haver mais custos para os portuenses. Julgo que o vamos conseguir para que agora a operação possa, apesar de não ser a solução ideal, trazer mais benefícios do que prejuízos nesta fase", salientou.
Nesse sentido, a segunda fase do projeto, que vai prolongar a rede do metrobus até à Anémona, em Matosinhos, vai avançar conforme o previsto e o presidente da Câmara do Porto espera que "antes do início do próximo ano letivo", em setembro, já esteja a funcionar.
Quanto às primeiras impressões deste período experiemental da operação, que decorrerá até março, já foram detetadas melhorias necessárias. "Há necessidade de sinalização sonora para cidadãos invisuais, questões relacionadas com a entrada e saída de passageiros na plataforma e questões técnicas ligadas à própria bilhética", esclareceu, acrescentando que não há "nada de relevante ou estrutural" a corrigir.

