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A primeira piroga do rio Lima, exumada do leito daquele curso de água na década de 80 do século passado, vai ser exposta ao público no Museu Municipal de Caminha.
A câmara local aprovou, na ultima reunião do executivo, um contrato com o Instituto Público do Património Cultural, que dará origem à cedência temporária daquela “Piroga Monóxila”, que remontará “à segunda metade do séc. X e primeira metade do séc. XI” e que está classificada como “Tesouro Nacional”.
“A piroga em causa foi classificada, conjuntamente com mais cinco pirogas, como de interesse nacional, com a designação de “Tesouro Nacional”. Para poder ser exposta em Caminha, foram estabelecidos vários requisitos, designadamente quanto à sala de exposição e medidas de segurança”, informa aquela autarquia em comunicado, divulgado hoje, referindo que, para expor a peça, “há condições ambientais, de humidade relativa, temperatura e iluminação, assim como a ausência de vibração e de poluentes atmosféricos que terão de ser cumpridos”.
Ainda de acordo com a câmara de Caminha, “trata-se, de facto, do regresso do exemplar, após várias peripécias e um longo processo”, em que “a piroga n. 1 do Rio Lima foi exumada do leito do rio a 2 de março de 1985 e transportada para Viana do Castelo, ficando guardada num armazém pertencente à capitania local, onde passou despercebida”. “Foi então que o interesse e esforço de Raúl de Sousa, à época funcionário da câmara municipal de Caminha e pertencente ao grupo organizador do Museu Municipal de Caminha, tomou conhecimento da mesma, adquiriu-a, e providenciou a sua transferência para o local do futuro Museu Municipal de Caminha”.
"Devido às deficientes condições preventivas do depósito", a piroga foi transferida para o Museu Monográfico de Conímbriga e depois para o Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática, em Lisboa, onde iniciou o "processo de consolidação com vista à secagem e estabilização em ambiente seco”. O tratamento da Lima 1 acabou por ser concluído “no laboratório do Museu Nacional de Arqueologia Subaquática (ARQUA), em Cartagena, Espanha”. E o município de Caminha “acabou por lhe perder o rasto”, até que entretanto foi classificada “Tesouro Nacional”, e a câmara empreendeu “esforços para que a peça pudesse regressar a Caminha”.

