
Entrada principal da Herdade da Galega, onde um acidente na fossa da pocilga provocou três mortos e um ferido grave
Fernando Fontes / Global Imagens
A Polícia Judiciária de Leiria afastou a possibilidade de os três homens que morreram anteontem, após terem caído na fossa da Herdade da Galega, na Chamusca, terem sido vítimas de crime.
Os corpos e o local foram examinados no sábado à noite. A mesma fonte revelou que o proprietário saiu em socorro de um funcionário que estava a limpar a fossa e que ambos perderam os sentidos. O filho mais velho do empresário tentou auxiliá-los, mas também acabou por falecer. O único que se salvou foi o filho mais novo, que se encontra internado nos Cuidados Intensivos do Hospital de Santarém, em "estado grave".
Fonte dos Bombeiros Voluntários da Chamusca explicou ao JN que os três corpos foram localizados, após a fossa para onde eram canalizados os efluentes suinícolas ter sido esvaziada, com o apoio de equipamentos dotados de uma bomba para extrair líquidos. As vítimas encontravam-se a seis metros de profundidade. "A remoção dos corpos foi feita com um guincho", explicou.
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Apesar de não ter "nenhuma suspeita de crime", a PJ vai enviar o relatório para o Ministério Público.
Tal como o JN noticiou ontem, as três vítimas são Rui Cordeiro, 53 anos, empresário de Leiria, Gonçalo Duarte, 30 anos, o filho mais velho que cuidava dos negócios no Brasil, e Bruno Rodrigues, 33 anos, funcionário da Herdade da Galega. Rafael, 20 anos, o filho mais novo do empresário, continuava ontem internado.
Abalo para a economia
Conhecido empresário de Leiria, Rui Cordeiro era proprietário das empresas Captágua e Tubofuro e detinha ainda o hotel Lisotel. "Era uma pessoa com um percurso notável e com o empreendedorismo típico dos empresários de Leiria", comentou o presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes. "Foi uma morte trágica e vai ser um grande abalo para a economia de Leiria."
O presidente da Câmara da Chamusca, Paulo Queimado, ia reunir esta semana com Rui Cordeiro para conversarem sobre o alargamento da zona industrial, junto à qual o empresário estava a acabar uma fábrica - Ecoparque Relvão - para construir depósitos de água. O autarca referiu ainda que Rui Cordeiro adquiriu a Herdade da Galega, com mil hectares, há cerca de 12 anos.
"Fez uma grande barragem, com espelho de água, para a prática de desportos náuticos, turismo rural, zona de caça grossa, e três unidades de suinicultura, com as tecnologias mais avançadas", contou ao JN.
O autarca revelou que o empresário, que caracteriza como "empreendedor", se dedicava também à silvicultura e à produção agrícola, nomeadamente milho, para alimentar os porcos, numa ótica de economia circular.
Apesar de acreditar que a mulher, advogada, dará continuidade aos negócios, o edil da Chamusca teme que os investimentos possam ser afetados.
Búfalos e palmito no Brasil
Segundo o jornal Globo, Gonçalo Duarte vivia em Registro, em São Paulo, onde era gerente da empresa Palmito da Fazenda, que integra o Grupo Poçágua, com mais de 10 anos de experiência no ramo. Localizado na Fazenda Barra do Capinzal, dedica-se ainda à criação de bubalinos (búfalos) e ao cultivo de palmito.
Os produtos derivados do palmito e da criação de búfalos são vendidos na loja Palmito da Fazenda. Em 2018, Gonçalo também inaugurou a Hamburgueria Palmito da Fazenda, que oferece lanches feitos com carne de búfala, além de pratos tradicionais da culinária portuguesa Solteiro, deixa dois filhos.
