Ponte de Lima encerra comemorações dos 900 anos com homenagem a "ilustre" poeta da terra

A ópera terá encenação de António Durães, música de Fernando C. Lapa e direção musical do maestro José Eduardo Gomes
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A vila de Ponte de Lima vai encerrar, a 4 de março, as comemorações dos 900 anos da atribuição do seu foral, com uma homenagem "a uma das figuras mais ilustres" da terra, o poeta e diplomata António Feijó. Para assinalar a conclusão de um ano de celebrações, iniciadas em março de 2025, será apresentada uma ópera intitulada "Papa est mort - António Feijó - O poeta que morreu de amor".
Trata-se de uma obra inspirada na vida e nas cartas do poeta, com encenação de António Durães, música de Fernando C. Lapa, e direção musical do maestro José Eduardo Gomes. A sinopse do espetáculo descreve que a ópera "nasce do diálogo entre palavra e música, cruzando biografia e emoção num território onde a memória ganha corpo". Refere que "o ponto de partida é o período que medeia a morte de Maria Carmen, sua esposa, e o seu próprio desaparecimento - dois anos de dor, silêncio e escrita, nos quais Feijó se manteve fiel à criação como última forma de resistência e permanência".
O libreto da obra musical "inspira-se na carta em que o filho, Toni de Castro Feijó, anuncia ao amigo Luís de Magalhães a morte do pai, com a expressão 'Papa est mort'", lê-se ainda o documento.
A criação coletiva que revisita Feijó "une compositor, libretista, encenador, músicos, cantores e criadores plásticos", e convida o público a assistir a uma "viagem sensível e poética, onde palavras e melodias se transformam num coro de memória, luz e emoção - um tributo à figura do poeta que fez da escrita um modo de amar, resistir e permanecer".
António Feijó nasceu em Ponte de Lima em 1859, estudou na cidade de Braga e formou-se em Direito na Universidade de Coimbra. Morreu em Estocolmo, na Suécia, em 1917, e foi transladado dez anos depois para a vila natal.
Foi diplomata no Brasil, na Suécia, na Noruega e na Dinamarca e ainda trabalhou como escritor, considerado "um dos maiores poetas da sua época".
Sobre o encerramento das comemorações dos 900 anos de atribuição do foral de vila a Ponte de Lima, o autarca local, Vasco Ferraz, refere que o município "vive um momento de rara transcendência".
"Não celebramos apenas nove séculos de história, celebramos a resiliência e o génio de um povo que sabe honrar as suas raízes enquanto abraça o futuro", afirma, considerando que a ópera a apresentar no Teatro Diogo Bernardes, nos dias 4 e 7 de março, "não é apenas um espetáculo cultural de excelência, é uma homenagem profunda a uma das figuras mais ilustres da nossa terra".

