Populares contestam gestão do Centro Social de Nespereira
Há educadoras com mais de 20 anos de serviço que se demitiram pelo mau ambiente criado na instituição.
Pais, avós, familiares de pessoas idosas, funcionários e ex-funcionários do Centro Social de Nespereira e outras pessoas da freguesia, do concelho de Guimarães, manifestaram-se, na tarde deste sábado, em frente à arquidiocese de Braga, contra a gestão da instituição liderada pelo padre Francisco Xavier. No total eram 45 pessoas preocupadas com o rumo da instituição de onde, dizem, já saíram, por se demitirem ou por serem dispensadas, 40 pessoas, desde que a atual direção tomou posse, em fevereiro. Uma delegação dos manifestantes foi recebida por um secretário do arcebispo, D. José Cordeiro. Insatisfeitos, os populares prometeram voltar.
A principal queixa destas pessoas está relacionada com a decisão de encerrar salas de pré-escolar. O argumento da direção do CSN é a falta de comparticipação pela Segurança Social e aponta a existência de oferta pública gratuita na Escola Primária da freguesia. Contudo, os pais dizem que não é assim. Asseguram que a Segurança Social financia o pré-escolar “num valor que ronda os 150 euros por criança, ao passo que na creche o financiamento é de aproximadamente 460 euros”. Uma funcionária com muitos anos de casa (que não se quer identificar), explica que “a anterior direção geria os valores que recebia da creche para financiar o pré-escolar que sempre foi deficitário, até porque a Segurança Social limitava-nos a 34 crianças e nós sempre tivemos mais”.
“Francisco noo poleiro, ele só quer dinheiro”, gritavam os manifestantes. Uma das mães, contabilista, explicava às outras porque é que o argumento, invocado pela direção do CSN, de que a situação financeira é má, não é válido. “A instituição tem um ativo de 2,77 milhões de euros, capitais próprios de 993 mil euros, para um passivo de 1,78 milhões de euros. Isto significa uma autonomia financeira de 36%, bem dentro daquilo que é preconizado pelo Banco de Portugal como aconselhável”.
Cláudia Pinheiro recebeu do padre Miguel Neto a garantia de que as queixas vão chegar ao arcebispo e de que terão uma audiência com ele urgentemente. “Há pessoas que matricularam os filhos em abril e, a esta data, ainda não receberam confirmação”, apontou. “Já procurei outra alternativa para a minha filha, porque provavelmente nem vai abrir”, diz outra manifestante que inscreveu a filha em abril e ainda não recebeu resposta, “quando o normal era em maio estar tudo resolvido”.
Educadores de saída
“Saíram as educadoras das salas dos dois e dos três anos, uma com 22 anos de casa outra com 17. Uma delas era a coordenadora pedagógica. Estas pessoas despediram-se sem terem alternativa de trabalho, foram ao concurso público e estão à espera de colocação. Afastaram-se por causa do ambiente tóxico que se vive no CSN”, afirma Vitória Pinheiro, mãe de uma menina que também está a aguardar vaga.

