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Em Portugal dormiu muitas vezes nos quartéis dos bombeiros, em Espanha tem usado mais vezes a tenda de campismo.
Henrique Pereira (Ricky Odissey, nas redes sociais), o aventureiro que largou de Silvares, Guimarães, no dia 4 de outubro e atravessou a fronteira no dia 31, para dar a volta à Europa a pé, já atingiu o Sul de Espanha. Depois de caminhar mais de 800 quilómetros, chegou este sábado a Málaga. Para já, está muito próximo do objetivo de fazer 600 quilómetros mensais, apesar de já ter enfrentado alguns percalços. Nos próximos quatro dias, tem a companhia de um amigo espanhol que com ele fará este pedaço dos 26 mil quilómetros que tem pela frente. A falta de apoios continua a ser um problema, mas afirma que em nenhum momento lhe passou pela cabeça desistir.
Henrique Pereira decidiu abandonar a rotina diária, despediu-se e fez-se à estrada, a pé, com o objetivo de ser a primeira pessoa a dar a volta à Europa a pé. Partiu com cerca de dois mil euros na conta bancária, um apoio da 250 euros, da Junta de Freguesia de Silvares, um troley com nove quilos de bagagem, onde se inclui uma pequena tenda e mais nada. Alguns diziam que não passaria de Vizela, mas já chegou ao mar Mediterrâneo.
Confessa que tem sido muito bem recebido nos lugares por onde passa. “Em Portugal consegui dormir várias vezes em quartéis de bombeiros”, conta. O único lugar do nosso país onde não teve grande acolhimento, queixa-se, “foi em Castelo Branco”. A pior etapa que fez, até ao momento, foi no dia em que atravessou a Serra da Estrela. “Estávamos sob aviso laranja, com muito vento e frio”, recorda. Todavia, agora olha para esses momentos como uma prova que depois de superada tornou o que veio a seguir muito mais fácil. Enquanto esteve em território nacional só precisou de acampar uma vez, “e mesmo nessa altura houve um funcionário de um posto de combustível que deixou usar o terreno deles, para não ter problemas com as autoridades”.
Assaltado em Badajoz
Entrou em território espanhol por Badajoz e foi nessa cidade que teve o primeiro encontro com o lado pior do ser humano. “Tentaram assaltar-me. Felizmente consegui reagir e ficou tudo bem”, revela. Em Espanha os bombeiros não têm sido tão cooperantes a oferecer dormida e passou a usar a tenda mais vezes. “Fui obrigado a comprar uma maior. Tinha trazido um modelo pequeno por causa do peso, mas com as baixas temperaturas que tenho encontrado formava-se muita condensação”. O troley com que saiu de Guimarães também não suportou a dureza do caminho. “Comprei um maior e com rodas mais resistentes. É mais pesado, mas acaba por ser mais fácil de empurrar porque tem rodas tipo bicicleta”.
Estes percalços põem em evidência a falta de meios desta expedição. Ainda assim, Henrique Pereira é peremptório: “o caminho é para a frente”. Pediu apoios à Decathlon, à Delta Cafés e à Câmara de Guimarães mas não obteve respostas. O aventureiro está preparado para viver com o mínimo, mas mesmo para isso precisa de apoio, por isso lançou um campanha de recolha de fundos: por MB Way, 91 958 37 68; transferência, PT50 0036 0117 99100023136 64; ou através da plataforma, https://gofund.me/9cf3a8ae.
Nos próximos quatro dias, Henrique Pereira tem a companhia de um amigo espanhol que caminha ao seu lado, mas na maior parte do tempo, ao longo dos próximos quatro anos, vai estar sozinho. A decisão de se lançar nesta aventura por 41 países foi espoletada por “não ser possível ganhar o salário mínimo e juntar dinheiro para viajar”. Para já, a viagem está na sua parte mais fácil. Subindo a costa espanhola, depois a francesa até chegar ao norte de Itália. “Vou descer até Roma, porque estando em Itália tem mesmo de ser”, afirma. Depois entra numa zona da Europa - os Balcãs- em que conta com mais dificuldades. “Frio, ursos, uma zona mais insegura”, confessa.
O plano de viagem feito numa aplicação informática que usava quando trabalhava a entregar encomendas, permite-lhe optimizar as distâncias e garantir que nunca fica muito longe de zonas habitadas, por questões de segurança e para poder obter mantimentos.O único país em que ainda não tem garantia de poder entrar é a Rússia, onde espera chegar daqui a mais ou menos dois anos. O Natal e a passagem de ano vão ser passados, “algures no Sul de Espanha, talvez em Valência onde tenho um amigo”.

