Prejuízos de um milhão de euros em Coimbra com destruição de aviões
Tempestade Kristin atingiu com força o Aeródromo Municipal Bissaya Barreto, arrancando a cobertura do hangar. O mercado municipal, algumas estradas e o Portugal dos Pequenitos também foram afetados.
A tempestade Kristin chegou com violência a Coimbra, na madrugada desta quarta-feira, destruindo várias estruturas e bens à sua passagem. Um dos casos mais graves registou-se no Aeródromo Municipal Bissaya Barreto, onde sete a nove aeronaves ficaram inoperacionais e os prejuízos podem ultrapassar um milhão de euros. No total, foram registadas no concelho cerca de 150 ocorrências, havendo estradas cortadas e casas sem eletricidade.
Segundo António Ferreira, diretor do Aeródromo Municipal, a tempestade causou danos avultados em sete a nove aeronaves, com algumas delas a ficarem irrecuperáveis. "Estamos em fase de avaliação de danos, mas, muito por alto, os prejuízos são provavelmente na ordem de um milhão de euros", referiu.
Devido às rajadas fortes de vento, o hangar acabou por ficar sem cobertura e o portão de entrada do edifício voou, o que, consequentemente, causou os danos nas aeronaves ali resguardadas. "Temos o sistema de indicador de ventos partido e a estação meteorológica aeronáutica partida, mas o dano maior é no hangar da empresa de manutenção, a IAC - Indústrias Aeronáuticas de Coimbra", explicou António Ferreira.
Foto: "Diário de Coimbra"
Sem eletricidade nem água
Por todo o concelho, a Proteção Civil registou dezenas de ocorrências relacionadas com o mau tempo. Ana Abrunhosa, presidente da Câmara, fez um balanço, de manhã, realçando que "duas ou três famílias" ficaram desalojadas, sendo rapidamente albergadas por familiares. Além disso, houve quedas de árvores e postos elétricos ficaram destruídos, o que deixou cerca de 10 freguesias sem eletricidade.
A Águas de Coimbra também fez um aviso à população, entretanto, sublinhando que "devido à falha energética registada em vários locais, encontram-se inoperacionais alguns hidropressores, pelo que não haverá abastecimento de água" em algumas zonas. Abelheira, Cabouco, Loureiro, Rio de Galinhas e Vale da Cruz encontram-se entre os locais afetados.
Segundo Ana Abrunhosa, a tempestade causou estragos durante "um período muito curto, mas muito intenso". Por isso, a Câmara encerrou as escolas e a Universidade também suspendeu as aulas. Há, igualmente, cortes de estradas e linhas dos transportes municipais inoperacionais, devido à queda de árvores que condicionaram as vias.
Cobertura arrancada no mercado
No centro da cidade, o Mercado Municipal D.Pedro V também foi atingindo, com o vento a levantar parte da cobertura e a permitir a entrada de água no edifício. Contudo, os comerciantes decidiram continuar a trabalhar.
Clarinda Fonseca, que trabalha há cerca de 36 anos por sua conta no Mercado Municipal, chegou um pouco mais tarde do que o habitual, porque encontrou algumas dificuldades na estrada, mas encontrou o espaço "limpo e pouco molhado". "Não me apanhou a banca e decidi trabalhar", referiu a vendedora, indicado que a banca mais afetada foi a da Mariazinha do Caldo-Verde, que ainda assim conseguiu vender tudo o que tinha trazido.
Do outro lado da margem do Mondego, o mau tempo levou, igualmente, ao encerramento temporário do Parque do Portugal dos Pequenitos, para reposição de estrados e avaliação das condições de segurança.
