
Nuno Piteira Lopes, presidente da Câmara de Cascais
Foto: Rui Manuel Fonseca
Os dois vereadores do PS abdicaram dos pelouros e o do CDS criticou o presidente que apoia. Piteira Lopes justifica acordo com os dois eleitos da extrema direita com a promessa feita na campanha de que iria convidar todos os eleitos para assumirem funções executivas.
Está instalada a confusão na Câmara de Cascais, depois de o presidente Nuno Piteira Lopes, do PSD, ter decidido atribuir pelouros aos dois vereadores do Chega. O PS não gostou e os dois autarcas socialistas, que tinham competências executivas, abdicaram dos pelouros. Para completar o "caldo político", o vereador do CDS, partido que apoia Piteira Lopes, assegurou esta terça-feira "não fez nem nunca fará nenhum acordo com o Chega".
Recorde-se que a coligação PSD/CDS perdeu a maioria absoluta em Cascais nas eleições de outubro, com a candidatura liderada por Nuno Piteira Lopes, a conseguir cinco eleitos. O PS ficou em segundo e elegeu dois vereadores (João Ruivo e Alexandra Carvalho), em terceiro lugar ficou a candidatura independente liderada por João Maria Jonet, que foi eleito juntamente com António Castro Henriques. O Chega alcançou o quarto lugar, mas também conseguiu dois vereadores (Pedro Teodoro dos Santos e João Rodrigues dos Santos).
Esta terça-feira, na reunião de Câmara, o vereador do PS João Ruivo justificou a decisão dos socialistas abdicarem dos pelouros que tinham no executivo, argumentando que o acordo estabelecido com o PSD excluía a presença do Chega. "Foi assumida com transparência desde o primeiro momento do diálogo que esteve subjacente ao entendimento estabelecido. O PS foi claro. Não integraria um executivo municipal em que o Chega tivesse pelouros. Não houve surpresa. Houve uma escolha", afirmou.
A acordo do edil com o Chega também não caiu bem no CDS. O vereador Pedro Morais Soares assegurou que discorda da posição tomada por Piteira Lopes e adiantou que o CDS "irá reunir os seus órgãos para analisar a situação".
Numa curta resposta, o presidente da Câmara lembrou que durante a campanha indicou que iria convidar todos os eleitos para assumirem funções executivas caso fosse eleito. "Foi isso que eu fiz e é isso que eu continuarei a fazer, porque no final do dia o nosso partido é sempre Cascais", justificou o autarca. Piteira Lopes argumentou ainda que o acordo que estava assinado com o PS não era exclusivo e admitia a entrada de outras forças políticas.
O vereador do Chega João Rodrigues dos Santos sublinhou que os eleitores deram um mandato que implica "trabalhar, influenciar decisões e defender ativamente os interesses dos munícipes".
Já o vereador independente João Maria Jonet criticou a opção do PSD, lembrando que alertou durante a campanha eleitoral para a disponibilidade dos sociais-democratas para "pactuar com o Chega", considerando que essa solução não respeita os valores democráticos que defende.
O JN tentou falar com Piteira Lopes, mas não obteve resposta até agora.
