Em Sernancelhe, o PSD local abriu "guerra" com um padre. Tudo por causa de uma iniciativa social que se realiza este domingo e que os 'laranjas' dizem que vai servir de "viveiro" de onde o presbítero espera encontrar o candidato PS que enfrentará o PSD.
Uma acção de sensibilização sobre "Fragilidades Sociais", hoje à tarde, em Ferreirim, Sernancelhe, promovida por Diamantino Duarte, o padre da aldeia, é encarada pela estrutura concelhia do PSD, força política que lidera a câmara desde 1990, como "viveiro de onde o seu dinamizador espera que saia o candidato socialista à câmara". O sacerdote já desmentiu.
Em declarações ao JN, na passada segunda-feira, dia em que foi posto a circular um e-mail a garantir que o padre estava a preparar uma lista do PS, Diamantino Duarte assegurou que não está interessado em meter-se na política. "A minha preocupação são os pobres e as instituições de solidariedade", disse.
Três dias depois do e-mail, a concelhia do PSD emite um comunicado muito cáustico contra o sacerdote. Diz que, para a "grande aventura" do padre, que é construir um lar de idosos em Ferreirim, "uma obra para a qual não tem dinheiro garantido", "vai ser preciso hipotecar tudo: o edifício do Centro Social e Paroquial, as carrinhas e todos os bens que pertencem ao povo de Ferreirim".
No comunicado, o presidente da estrutura concelhia 'laranja', Carlos Silva Santiago, revela que o presidente da autarquia, José Mário Cardoso, "vai estar presente como orador na iniciativa" de hoje, "ao contrário do que tem sido afirmado pelo presidente da Comissão Fabriqueira", mas lamenta que não tenham sido convidadas as forças políticas do concelho. "Era importante que se soubesse, pelos representantes do PS, como se andam a gastar biliões de euros com os bancos, as auto-estradas, o TGV ou o novo aeroporto, quando não têm dinheiro para fazer um lar novo em Ferreirim, que tanta falta faz às pessoas humildes daquela terra".
O PSD termina o comunicado abordando de novo o padre e a política. "Questiona-se se a acção [de hoje] se deve ao facto de o responsável por encontrar uma lista concorrente à câmara, ainda não ter arranjado candidato, apesar dos milhares de euros que ofereceu já a algumas pessoas para aceitarem serem cabeça de lista".
Estão presentes na iniciativa o governador civil e o bispo.
