
Em 2019, houve apenas 52 ocorrências de poluição
Ivo Pereira / Global Imagens
Projeto que inclui a figura do guarda-rios fez renascer curso de água que já foi considerado dos mais poluídos do país. Vigilância mais apertada permitiu detetar focos de poluição.
Luís Ramos é guarda-rios e todos os dias percorre as margens do Tinto para fazer a vigilância visual e dos odores que deteta fontes e focos de poluição. A figura do guarda-rios foi criada em 2015, no âmbito do Projeto de Valorização do Rio Tinto que a Lipor tinha começado poucos anos antes, para monitorizar a água e reavivar o ecossistema daquele curso fluvial que nasce em Valongo e atravessa Maia e Gondomar até desaguar no Porto.
Cinco anos depois, surgem os resultados: aves, anfíbios e até peixes são já visíveis num rio que chegou a ser considerado um dos mais poluídos de Portugal. Em 2018, registaram-se 300 ocorrências. Durante o ano passado, realizaram-se 1245 inspeções, foram avaliados 3735 parâmetros e registadas 52 ocorrências com maior expressão nos pontos de controlo da "autoestrada" e da Ribeira da Granja - Maia (35% e 29%, respetivamente). O tipo de ocorrência com maior predominância foi a cor (44%).
"São resultados muito positivos e que resultam deste trabalho de monitorização, e depois do envolvimento dos municípios. A diminuição deve-se a essa vigilância e inibe os infratores que estão também sujeitos a coimas", afirma Diana Nicolau, responsável pelos projetos na área da sustentabilidade ambiental da Lipor, Serviço Intermunicipalizado de Gestão de Resíduos do Grande Porto.
Um rio considerado morto recuperou nos últimos anos a sua biodiversidade: "É possível ver rãs, o sapo-parteiro, por exemplo, aves como guarda-rios e patos".
da nascente até à foz
"É o melhor emprego que a Lipor me podia dar. Adoro o contacto com a natureza e a verdade é que nos últimos anos os níveis de poluição baixaram consideravelmente. Os focos de poluição são muito raros atualmente", conta Luís Ramos, de 45 anos, que antes trabalhava no serviço Ecofone, da área dos resíduos recicláveis.
O Programa de Monitorização para Avaliação da Qualidade da Água e dos Sedimentos do Rio Tinto desenvolvido pela Lipor, numa parceria com autarquias e a Faculdade Fernando Pessoa, analisa um conjunto de parâmetros físico-químicos e biológicos representativos, num conjunto de locais selecionados, considerando-se o seu percurso da nascente à foz. São 12 quilómetros: o rio nasce em Ermesinde, no concelho de Valongo, passa numa pequena parte do município da Maia, atravessa Rio Tinto, no concelho de Gondomar, e desagua no Freixo, no Porto.
"O curso faz-se ao longo de quase todo um território urbano e em muitos troços está entubado, o que dificultou o nosso trabalho, que vem desde o ano 2000, de deteção de fontes de poluição", diz ao JN Diana Nicolau.
REVITALIZAÇÃO
Intervenção dos municípios foi decisiva
O envolvimento dos municípios atravessados pelo rio Tinto acabou, a partir de 2013, por "ser fundamental" para a sua revitalização. O concelho de Gondomar interveio na estação de tratamento de águas residuais (ETAR) do Meiral e construiu o intercetor na cidade de Rio Tinto. O Porto resolveu o problema dos afluentes da ETAR do Freixo que, tal como na do Meiral, eram lançado no rio Tinto.
SABER MAIS
"Peixe" de Bordalo II
O "Peixe", a escultura/mural do artista Bordalo II, simboliza a recuperação que está a ser levado a cabo no troço do rio Tinto que passa no Trilho Ecológico da Lipor. Também um antigo moinho recuperado alberga o Centro de Interpretação Ambiental que suporta o Programa Educacional para as Escolas.
Trilho ecológico
O Parque Aventura tem 19 hectares de área. Quatro patamares representam uma altitude 154 metros acima do nível médio das águas do mar. O trilho tem dois percursos: um com 2,5 km na base e outro com 4 km com subida ao topo do Parque Aventura. Visitas estão canceladas devido à Covid-19.
