Reabilitação de prédio na Baixa do Porto vai proteger ninho de andorinhão-da-serra

Animal nidificou nas caixas de estore do edifício junto à Igreja dos Congregados
Foto: Leonel de Castro
Ninho de andorinhão-da-serra foi detetado em edifício que está a ser reabilitado na Baixa do Porto. Fachada vai ser adaptada.
A fachada de um prédio que está a ser reabilitado junto à Igreja dos Congregados, na Baixa do Porto, vai ser adaptada de forma a tornar possível preservar o ninho que a colónia de uma ave rara construiu nas caixas de estore do edifício.
Trata-se do andorinhão-da-serra, uma espécie que, até 2019, apenas se conhecia como nidificante nos arquipélagos da Madeira e Canárias. De acordo com a autarquia portuense, "as primeiras duas colónias continentais foram descobertas na cidade do Porto".
Para evitar a destruição do ninho e salvaguardar a sua integridade, mantendo a colónia de andorinhão-da-serra no mesmo local, a Câmara e o promotor imobiliário "encontraram uma solução que passará por medidas que assegurem que o impacto naquele habitat será minimizado durante os trabalhos". Segundo a autarquia, será, ainda, promovida a "adaptação da fachada do edifício, para garantir a conservação da colónia".
O alerta para a existência de uma colónia no edifício que está a ser intervencionado, na Rua de Sá da Bandeira, surgiu do Andorin, um projeto para o estudo e conservação de andorinhas e andorinhões de Portugal, que entrou em contacto com a autarquia.
De acordo com a informação da Câmara, o andorinhão-da-serra é "uma ave residente, mas parcialmente migradora, o que significa que, durante o inverno, embora se mantenham alguns indivíduos nas colónias, os efetivos diminuem consideravelmente".
Estas aves "fazem os ninhos em pequenos espaços de difícil acesso do interior dos edifícios, como as caixas de estore escolhidas por esta colónia", indica ainda a autarquia, referindo que, "ao contrário das andorinhas, os seus ninhos são impercetíveis e raramente deixam vestígios"

