
Rio Ave galgou as margens
Foto: Direitos Reservados
"Sempre que chove muito é isto!", atira, indignada, Catarina Castro. Mora ali há 27 anos, na avenida Alexandre Herculano, junto à Escola Secundária Afonso Sanches, em Vila do Conde. Ninguém lhes dá soluções e, ano após ano, os prejuízos acumulam-se. No lugar de Formariz, há garagens inundadas, ruas cortadas e campos alagados. Teme-se que o pior ainda esteja para vir.
"Ontem, às 22 horas, começamos a perceber que a água ia subir e fomos avisar os vizinhos. Quem estava em casa, ainda conseguiu tirar os carros da garagem. Outros ficaram lá dentro", contou, ao JN, a jovem de 28 anos. Entre o prédio de Catarina e a Secundária Afonso Sanches há um campo completamente alagado. Durante a noite, a estrada chegou a estar intransitável e, na garagem, há um metro de altura de água.
"Os bombeiros dizem que não é possível bombear a água, porque a maré está outra vez a subir [até às 15.37 horas]", explica. Catarina sabe que, na próxima madrugada, volta a haver chuva forte e a maré volta a subir a partir das 21.40 horas. Teme que seja mais uma noite de sobressalto. Ao longo dos anos, diz, por várias vezes alertaram a Câmara de Vila do Conde. A solução, reclama, nunca chegou.

Os vizinhos ajudam-se como podem, mas os prejuízos são "enormes": "Há pessoas que tinham máquinas, arcas e frigoríficos na garagem, animais no quintal e, agora, ficaram sem as coisas".
Entre o lugar de Formariz e Touguinha, está cortada a rua da Lapa (junto aos armazéns municipais) e a rua das Calçadas. Por baixo da A28, às primeiras horas da manhã, o rio Ave tinha galgado as margens, avançou quase 100 metros e estava já junto à estrada e muito perto das traseiras da Fricon. A fabricante de equipamentos de frio e congelação manteve a laboração, ao contrário do que tinha sido indicado pelas autoridades ao JN.
Com a subida da maré, aquela ligação a Touguinha deverá ficar submersa.

A Câmara já tinha emitido o aviso ontem: "nos próximos três dias, poderá chover o equivalente à média mensal de janeiro, o que aumenta o risco de inundações. O risco é agravado pelas descargas em curso na barragem de Guilhofrei [Ermal]".
