
Cirurgia no Hospital de Santa Maria, no Porto
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As cirurgias feitas com recurso a robôs são cada vez mais frequentes em Portugal. Os avanços tecnológicos permitem intervenções mais precisas, menos invasivas e com benefícios para os pacientes. Os hospitais de Santa Maria e Lusíadas, ambos no Porto, anunciaram mais duas operações com robôs usando técnicas "pioneiras".
Mas nem só os hospitais privados investem neste modelo. Também nas unidades públicas os robôs ganham preponderância e no S. João, por exemplo, em 2023 o número de intervenções superou as duas centenas.
No Hospital de Santa Maria, no Porto, uma mulher de 64 anos, com diagnóstico de osteoartrose, foi submetida a uma artroplastia do joelho. Na prática, foi-lhe colocada uma prótese. André Costa, cirurgião ortopédico responsável pela operação realizada na quarta-feira, sublinhou que Hospital de Santa Maria "historicamente sempre se dedicou à ortopedia, tanto a nível de tratamento, como a nível de reabilitação". Assim, o interesse em aplicar robótica em cirurgias para diminuir e reverter os efeitos da osteoporose na anca e no joelho refletiu-se "em pesquisa e estudo, com visitas a hospitais em Espanha, nos quais a tecnologia, nascida nos Estados Unidos, já foi implementada e é utilizada há algum tempo". "Mantivemos o diálogo com o país vizinho, de forma mais intensa nos últimos meses, para conseguirmos aplicar robótica em cirurgias. Concluída a fase de experimentação e verificação, o Hospital de Santa Maria decidiu avançar com o investimento no sistema Mako e tornou-se pioneiro da sua utilização em ortopedia, em Portugal", explicou.
Segundo o cirurgião, o recurso a um robô com "exatidão e precisão extremas" possibilita um "tratamento mais eficaz e seguro dos doentes, na última fase de doença de patologias como a osteoartrose degenerativa". "A primeira paciente a ser operada com robótica, com 64 anos, enfrentava já uma grande dificuldade em controlar a dor e estava no grau máximo do avançar da doença, na fase final do problema degenerativo e, por isso, esta cirurgia, que requer grande precisão, era necessária", observou.
O sistema Mako "permite personalizar a intervenção a cada doente e aplicar a prótese nas melhores condições para cada um deles". Desta forma, as cirurgias para aplicação de próteses proporcionam "uma abordagem minimamente invasiva, com cortes muito reduzidos". O cirurgião ortopédico assegura que "os benefícios são imediatos, a recuperação é melhor, mais rápida e eficaz e a reabilitação é muito mais precoce, permitindo rapidamente um regresso à vida normal". Para além disso, "os doentes vão sentir muito mais benefícios a longo prazo e sofrer menos complicações relacionadas, por exemplo, com o desgaste da prótese".
Admitindo que os doentes ficam "curiosos" mas "reticentes" quanto ao uso de robôs nas cirurgias, não querendo ser os primeiros a estrear a tecnologia, André Costa acredita que "as pessoas vão cada vez mais exigir este tipo de intervenções, pelo sucesso que têm, tal como acontece nos grandes centros ortopédicos na Europa e nos Estados Unidos". Em resposta aos receios dos pacientes, garante que "todos os passos do sistema são controlados, decididos e autorizados pelo cirurgião". "O objetivo principal é evitar a ocorrência de erros involuntários e aliar a experiência dos profissionais à precisão extrema do robô", assinalou.
Também no Lusíadas Porto, uma operação foi realizada com recurso à tecnologia Versius, "um sistema robótico de última geração que assegura a realização de procedimentos cirúrgicos complexos com maior precisão e controlo, garantindo melhores resultados, maior segurança e uma recuperação mais rápida".
Esta foi a primeira cirurgia robótica ao cancro da próstata, uma prostatectomia radical (remoção total da próstata) realizada em Portugal, sob a direção do cirurgião Luís Osório, que coordena a especialidade de urologia na unidade de saúde privada, e com o apoio do médico urologista Frederico Branco. O robô cirúrgico vai ser utilizado, sobretudo, nas especialidades de urologia, ginecologia, cirurgia geral e torácica, explicou o hospital, em comunicado.
A equipa clínica, citada no documento, afirma que "os benefícios desta tecnologia de última geração centram-se na possibilidade do sistema reproduzir em tempo real os movimentos da mão do cirurgião, permitindo-lhe realizar todo o procedimento com maior detalhe cirúrgico e maior segurança". Na nota de imprensa, Joana Menezes, administradora do Lusíadas Porto, explicou a mais-valia que o equipamento vai trazer à unidade de saúde: "Faz parte da nossa missão, enquanto grupo que contribui há 26 anos para o sistema nacional de saúde, garantir a disponibilização das mais inovadoras tecnologias, bem como cuidados de saúde de excelência, que permitam dar continuidade à abordagem personalizada que adotamos com quem nos procura".
Robótica em cirurgias do SNS
No início de 2023, o Hospital São João, no Porto, realizou também uma prostatectomia radical robótica. A unidade de saúde ultrapassou as 200 cirurgias (todas em doentes oncológicos) no ano passado.
Em Lisboa, o Hospital Curry Cabral, um dos principais impulsionadores do Serviço Nacional de Saúde na utilização de robôs em procedimentos cirúrgicos, realizou a primeira cirurgia robótica pediátrica em fevereiro deste ano. Também na capital, no Hospital de São José, antigo Centro Hospitalar Universitário Lisboa Central, foram realizadas cerca de 500 cirurgias robóticas.
