
Aterro de Sobrado está acusado de crime ambiental pela população
José Carmo / Global Imagens
População aponta ao aterro da freguesia e denuncia "passividade das autoridades" ambientais e sanitárias.
"Sr. ministro, Sobrado quer respirar". A tarja denuncia os problemas ecológicos alegadamente causados pelo aterro de Sobrado. A vila também lamenta a passividade das autoridades sanitárias, que acusam de indiferença às queixas sobre os ataques e picadas de insetos, com registo de casos considerados graves. A dona do aterro rejeita qualquer responsabilidade.
Autora da ação popular que levou o caso aos tribunais, por alegado licenciamento ilegal do aterro -, a "Associação Jornada Principal" (AJP) denuncia o ataque de insetos a "cerca de 40 pessoas" e que "algumas tiveram mesmo de ser internadas no hospital".
Os ambientalistas dizem ter denunciado o caso ao Agrupamento de Centros de Saúde Maia/Valongo e que não receberam qualquer resposta. Reencaminharam as queixas do "desespero da população" para a delegada de Saúde Regional do Norte.
A exposição tem anexadas dezenas de fotos de pessoas, incluindo bebés, com membros e outras partes do corpo inchadas por causa das picadas. Cinco jogadores de futebol do Sobrado estão entre as vítimas.
"Lixeira de Portugal"
"No início [2007] foi anunciado como um aterro para inertes. Só que o Ministério do Ambiente, sem qualquer consentimento, seja da população ou da Câmara, licenciou mais de 400 códigos LER [Lista Europeia de Resíduos] e autorizou todo o tipo de lixos e mais alguns, como o amianto. Sobrado passou a ser a lixeira de Portugal", diz Gilberto Gonçalves, dirigente da AJP.
A ReciValongo, gestora do aterro, é acusada de "crime ambiental" pela AJP. A empresa nega o depósito de resíduos perigosos e diz que "não há evidências" de que tenha qualquer relação com os ataques de insetos.
A Câmara de Valongo posiciona-se "ao lado da população" e diz que tem "como principal objetivo o encerramento e a descontaminação do aterro, mal licenciado em 2007". "Aguardamos com expectativa o desfecho da ação popular interposta pela AJP. Se o tribunal decretar que o licenciamento urbanístico é ilegal, o aterro terá de ser encerrado", diz fonte do executivo liderado por José Manuel Ribeiro.

