Cerca de seis toneladas de peixes mortos foram retiradas, nos últimos dias, das margens da Barragem de Lucefecit, no concelho do Alandroal, no distrito de Évora, revelou ontem à agência Lusa fonte da Câmara Municipal .
A única espécie de peixe morto até agora encontrada pelas autoridades é a Carpa, que começou a aparecer na tarde de terça-feira da última semana, tendo a Câmara Municipal do Alandroal enviado para o local "máquinas para a sua remoção", explicou à Lusa o vereador do Ambiente da autarquia, Joaquim Galhardas. As brigadas do Serviço de Protecção da Natureza e Ambiente (SEPNA) da GNR estiveram, ontem, no local a recolher os peixes e efectuar análises, quer aos animais mortos quer às águas, que não registaram "presença de químicos ou intoxicação", afirmou o comandante da GNR. Os técnicos da Câmara Municipal do Alandroal recolheram igualmente carpas mortas e amostras de água, já enviadas para laboratório na quinta-feira passada, aguardando a qualquer momento os resultados, acrescentou o autarca. As autoridades estão inclinadas a atribuir a elevada mortandade das carpas, que estão em altura de desova, à "baixa temperatura que a água regista", facto este que é anómalo para esta altura do ano, explicou fonte do SEPNA. Por sua vez, Joaquim Galhardas afirmou que os "animais mortos estão a ser enterrados nos terrenos limítrofes", com a autorização dos proprietários, para evitar "o apodrecimento do peixe nas águas". Ontem, o responsável pelo Ambiente do concelho do Alandroal manteve no local duas retro-escavadoras, e prevê que hoje entre em operação mais uma máquina pesada. A infra-estrutura é utilizada para retenção de águas para rega e a entidade responsável é a Associação de Beneficiários do Lucefecit. Na barragem são permitidas a pesca, fonte importante de receitas em termos turísticos para o concelho, conforme disse adiantou o autarca, e par de actividades de lazer como a vela, o windsurf e o ski. José Paulo Martins, responsável pelos núcleos de Évora e Beja da Quercus, explicou, por seu turno, ao JN que situações destas "acontecem com alguma frequência" nas barragens alentejanas. Para o ambientalista, "o arrastamento de nutrientes dos campos agrícolas e o baixo oxigénio são as causas mais prováveis" para o sucedido: "As chuvas de Maio poderão ter ajudado este fenómeno de escorrência".
