
Ao longo dos anos, os funcionários da Ficocables têm reclamado melhores condições
Foto: José Carmo
Através do sindicato Site-Norte, os funcionários da Ficocables, na Maia, que estarão sujeitos a lay-off a partir do dia 20, vão enviar uma carta a várias entidades, entre as quais a ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, a questionar a fundamentação da empresa para recorrer "constantemente" a esta medida.
Foi uma das decisões saídas do plenário de trabalhadores. Rita Costa, do Site-Norte, lembra que o lay-off na Ficocables tem sido utilizado sucessivamente "desde 2023". Além da ministra, a carta seguirá para a Segurança Social, a Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) e a Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT).
O lay-off vai abranger os cerca de 600 funcionários da empresa de componentes automóveis, tem a duração prevista de seis meses e vigorará de forma intermitente. Ou seja, um dia deverão cumprir os trabalhadores de uma secção, no outro dia será de outra. Isto, apesar do sindicato desconhecer, ao detalhe, como será aplicado o plano.
O argumento usado pela Ficocables, que assenta na quebra de "10%" das encomendas, também levanta dúvidas. Por isso, os funcionários querem ouvir, de "viva voz", as explicações da administração. No plenário promovido pelo Site-Norte, afeto à CGTP, ficou decido agir em "convergência" com o Sindel, afeto à UGT, para reunir com quem gere a empresa.
Rita Costa é perentória, ao dizer que "não há a ilusão de conseguir travar o lay-off", que já começa daqui a duas semanas, mas promete tudo fazer para o "tentar encurtar", evitando esgotar os seis meses. Apesar da insatisfação geral, não haverá qualquer concentração à porta das instalações. O mau tempo também desaconselha este tipo de iniciativas. O JN tentou uma reação da Ficocables, mas não teve resposta.
Sindicato diz que havia alternativas
Para o Site-Norte, a Ficocables devia ter procurado "outras soluções" em alternativa ao lay-off. Rita Costa afirma que a empresa podia "reduzir aos horários ou optar pelo gozo de férias". Outra hipótese passaria por "ações de formação nos dias em que não houvesse trabalho", tendo em conta que a administração fala numa quebra de encomendas de 10%. A Ficocables faz parte do grupo catalão Ficosa e fora de Espanha também tem presença em Itália.

