Um grupo de pais da Escola Básica Integrada de Pampilhosa da Serra fechou, ontem de manhã, a cadeado os portões do estabelecimento, exigindo a demissão do Conselho Executivo e a imediata criação de uma associação de pais.
Ao longo da manhã viveram-se alguns momentos de tensão junto dos portões da escola e a situação só foi desbloqueada cerca de três horas depois com a intervenção do presidente da Câmara, José Alberto Brito Dias, que tentou apaziguar os ânimos, e de elementos da GNR que cortaram as correntes que fechavam os três portões de acesso, impedindo a entrada de alunos, professores e funcionários que desde as 7.30 horas pretendiam entrar no edifício. A iniciativa de encerrar a escola e colocar cartazes, com inscrições do tipo "Há que mudar para esta escola não acabar", "Exigimos a demissão do Conselho Executivo" e "Autoritarismo - Incompetência, Abuso de Poder - Incumprimentos, Estamos fartos", partiu de um grupo de pais, cujos elementos foram distribuindo a quem chegava para deixar as crianças, um documento contendo um conjunto de exigências. Os contestários acusam a escola de lhe protelar o processo de criação de uma associação de pais, depois de lhes ter negado a utilização do nome do agrupamento para o fazerem. Mesmo assim, dizem ter avançado com os procedimentos para a criação da associação e em Novembro de 2006 aprovaram mesmo os estatutos que deixaram nas mãos de um dos representantes dos pais, o qual ficou encarregue de dar continuidade ao processo. Só que, passado todo este tempo, acusam o depositário dos estatutos de nada ter feito a não ser fazer-se representar em nome dos pais em todos os órgãos, sem que para isso tenha sido eleito ou nomeado. Carlos Marques, o visado, disse ao JN que "o processo burocrático para a criação da associação é muito grande, pelo que está ainda a decorrer". Quanto à sua presença em reuniões diz que não o faz há mais de seis meses, alegando "nem ter tempo sequer para isso". O protesto de ontem visava também exigir a demissão do Conselho Executivo da Escola, sede de um agrupamento vertical que engloba cerca de 300 alunos desde o pré-escolar ao 12º ano, distribuídos pela escola "mãe" e mais quatro do 1º ciclo. Os pais asseguram que "existem elementos do Conselho Executivo que passam dias e até semanas sem irem à escola, deixando por longos períodos do dia o estabelecimento "sem nenhum responsável que possa dar resposta imediata a algum problema que surja". Levantam ainda questões relacionadas com a legalidade de uma pessoa que dizem exercer funções de voluntariado na escola "de forma estranha" e com o facto de os alunos não terem verdadeiras aulas de substituição, mas sim serem distribuídos por diferentes turmas ou enviados para a biblioteca. Dizem também desconhecer qualquer tipo de práticas pedagógicas concretas que levem à alteração do panorama daquela que é considerada, nos rankings nacionais, como a pior escola do país. Contactado pelo JN, o Conselho Executivo escusou-se a prestar declarações, sendo que à agência Lusa, Vítor Machado, presidente daquele organismo, adiantou: "Quem são eles para pôr em causa o Conselho Executivo?". Acrescentou ainda que tudo não tinha passado de uma "manifestação de pais descontentes relativamente à representação na escola". Alguns pais acabaram por ser recebidos pela direcção da Escola. Depois de cerca de três horas de conversações ficou prevista a realização de uma reunião geral de pais, amanhã à noite. Quem diz não ganho para o susto foi Célia Olivência, a vigilante nocturna que garantiu ao JN que quando passou a ronda às seis da manhã estava tudo bem. "Às sete, quando ia para sair, estavam os portões trancados". "Depois a GNR disse-me que, ou eu dizia quem foi, ou a DREC (Direcção Regional de Educação do Centro) me despedia". Ao JN, o cabo Santos da GNR disse apenas que se limitou a transmitir a informação que lhe tinha sido fornecida.
