Exaustos, mas satisfeitos. Miguel Arrobas e Nuno Vicente completaram a nado e com êxito os 54 quilómetros que ligam as barragens da Bouçã e do Castelo de Bode. Antes da travessia do Canal da Mancha, em Agosto, os atletas farão ainda a ligação a nado entre os Farelhões (Berlengas) e Peniche.
Depois dos 33 quilómetros de "sacrifício" realizados em mais de 7.30 horas, entre a barragem da Bouçã e a estalagem do Lago Azul, em Ferreira do Zêzere, Miguel estava animado. Nuno mostrava-se apreensivo enquanto olhava as águas calmas do Zêzere. A lesão antiga, no ombro esquerdo, voltou a dar sinal durante a primeira etapa da prova e o atleta temia não conseguir aguentar. "Comecei a sentir dores às 3.15 horas de prova e tive medo de não aguentar", conta admitindo que mesmo assim está optimista. "O fisioterapeuta colocou-me um aparelho no ombro, para ver se eu consigo aguentar", frisa o atleta, do Clube de Natação de Torres Novas.
Nuno chegou cedo ao cais de embarque da estalagem. Senta-se numa pequena trave de madeira que protege o acesso à água e conta que o frio e o cansaço foram as principais dificuldades sentidas. Sabe, por isso, o que o espera. "Aqui nunca se vê o fim. É sempre água", explica o atleta que percorreu os 33 quilómetros em 7.46 horas.
Miguel Arrobas chega ao cais minutos antes de começar a etapa. Na véspera, nadou 7.31 horas. Está bem disposto, admite algum cansaço, mas sente a adrenalina do desafio. A conversa é rápida e realizada enquanto se prepara. É que para além do protector, estes nadadores espalham grandes camadas de vaselina pelo corpo. Uma forma de os proteger dos cerca de 15 graus da temperatura da água.
Feito o aquecimento, Miguel prepara-se para dar início à travessia que o levará à Barragem de Castelo de Bode. Concentrado, olha a água e diz "parece que está fria". Às 11.25 horas, este atleta da Associação de Nadadores dos Estoris inicia a travessia. A seu lado segue uma canoa com um guia, que vai assinalando o caminho. Mais atrás, um outro barco com os mantimentos: chá quente e geles para conseguir aguentar os 21 quilómetros.
Doze minutos depois, Nuno inicia a sua etapa. A apreensão dos que o seguem é grande, mas o atleta mantém-se optimista. Cerca de 45 minutos após o apito inicial, e durante os poucos segundos do "abastecimento", Nuno diz que sente dores no ombro esquerdo. "Vamos ver se não estrago o direito", diz, enquanto bebe o chá quente. Duas horas depois, deixou de sentir dores.
Miguel fez o percurso em 5.41 horas e o Nuno em 5.45.
