
Ana Pires, João Maganinho e André Pereira fazem parte da equipa que criou a tatuagem
Foto: Pedro Correia
A Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) criou uma tatuagem eletrónica que analisa em tempo real vários dados do corpo humano, desde logo a temperatura. Um pequeno equipamento totalmente indolor e que poderá vir a ser aplicado em ambiente médico daqui a menos de uma década.
Estimamos que possa ser bastante útil, por exemplo em crianças, de quem será possível retirar dados de forma não intrusiva. Mas também está apto a ser usado em adultos e neles medir a respetiva condição de saúde através das informações recolhidas", explica André Pereira, professor auxiliar no Departamento de Física e Astronomia da FCUP, que lidera, juntamente com a colega Ana Pires, a equipa de cinco investigadores responsável pela descoberta e desenvolvimento deste processo inovador a nível internacional.
"A temperatura é conseguida sem necessidade de imobilização do paciente, com maior precisão e sem recurso aos tradicionais objetos externos, como o termómetro. A tatuagem também deteta precocemente inflamações, reações alérgicas ou traumas e lesões, que podem ser monitorizadas ao segundo", acrescenta André Pereira.
Constituída por quase invisíveis fios eletrónicos ligados a um sistema de microprocessadores que analisam o sinal e outras informações, a tatuagem pode ser ajustada a qualquer parte do corpo durante sete dias consecutivos até ser removida ou substituída. O design também é especial e o objetivo é "juntar a parte criativa e artística" ao gosto de cada doente, até com uso de luzes e LED.
O futuro passa pelo desenvolvimento destas tatuagens especiais, de forma a torná-lo mais eficaz e à sua transposição para o uso comum. "Até lá, ainda temos de o tornar mais multifuncional para que seja mais abrangente, esse é o passo seguinte. Depois disso, acredito que em cerca de cinco anos chegará ao mercado e às unidades hospitalares", avança o investigador da FCUP.
