
Líquenes são fungos aparentados com os cogumelos, que podem ser utilizados atividades económicas, mas também na reparação de ecossistemas após incêndios florestais
Foto: Paulo Jorge Magalhães/Arquivo
A Universidade do Porto (UPorto) está desenvolver no interior norte do país um projeto científico que pretende valorizar os líquenes dos carvalhais para áreas como a perfumaria, tinturaria e gastronomia.
A investigadora e coordenadora do projeto "Líquenes à moda do Norte", Joana Marques, disse, citada pela Lusa, que o foco da investigação são os líquenes, fungos aparentados com os cogumelos, que ainda são pouco conhecidos e explorados como recurso natural e podem ser utilizados atividades económicas, mas também na reparação de ecossistemas após incêndios florestais.
"Pretendemos estudar para depois utilizar os líquenes como recurso endógeno desta região, onde estes fungos existem em quantidade e não estão a ser usados. É importante aprender a utilizá-los, testar a sua utilização e perceber qual a capacidade que este recurso tem igualmente na recuperação dos ecossistemas, após um incêndio florestal", explicou a investigadora do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da Universidade do Porto.
Indicadores de qualidade ambiental
Joana Marques defendeu ainda que é necessário aprender a utilizar os líquenes e perceber qual é a sua utilização e capacidade de recuperação, após uma colheita, como bio-indicador de qualidade ambiental.
A investigadora disse que os líquenes são "esponjas que absorvem à agua", contribuem para o equilíbrio do microclima das florestas e são ricos em compostos de azoto, elemento que também enriquece os solos para a utilização agrícola.
A visão para o futuro dos investigadores envolvidos no projeto "Líquenes à moda do Norte" é que possam ter valor económico, que as comunidades locais saibam distinguir as espécies que têm valor e possam tirar algum aproveitamento.
Este projeto junta vários parceiros como a Associação Biopolis, Palombar - Conservação da Natureza e do Património Rural, Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino (AEPGA), Aldeia e Verde - Associação para a Conservação Integrada da Natureza, o Centro Ciência Viva de Bragança, entre outros.
Este projeto tem a duração de três anos e é financiado em 200 mil euros pela fundação "La Caixa", que representa 75% do montante total da iniciativa.
