
Famílias criticam situação lamentável, que as obriga a recorrer a Coimbra
Mariana Rebelo Silva / JN
Mais de 500 pessoas marcaram presença, este sábado, na manifestação contra o encerramento noturno da urgência pediátrica do Hospital de Viseu, a partir deste sábado, 1 de junho.
O encontro começou pelas 10 horas na Praça do Rossio, em frente à Câmara Municipal, onde os pais, acompanhados de crianças, foram dando o seu testemunho. Duas horas depois, o cortejo seguiu em direção à entrada principal da unidade hospitalar. Fizeram-se ouvir bombos e palavras de ordem: "Urgência já!".
A urgência pediátrica tem estado fechada à noite, de sexta-feira a domingo, desde março.
Olga Merino, mãe de uma criança de 13 anos, recorda uma situação "preocupante" que viveu com a filha, num sábado à noite.
"A minha filha estava com queimaduras no peito e nos braços. Fui com ela para a urgência e ninguém a atendeu. Chamei o 112 à porta do hospital e fomos para Coimbra, onde foi tratada em 45 minutos", conta, admitindo que, agora, se sente "em pânico".
Andreia, mãe de uma menina de três anos, recorda também a noite de sábado em que ligou para a linha de saúde 24 e a encaminharam para Coimbra. "Fizemos uma viagem de uma hora de caminho, com a minha filha a vomitar. Não é assim que se tratam as nossas crianças", frisa.
Carlos Pompeu, que é pai e bombeiro sapador, lembra um atropelamento que vitimou três jovens. "Já era de noite, a urgência estava fechada, então tiveram todos de ser transferidos para Coimbra", conta, afirmando que a situação "lamentável".
Vigília na próxima sexta-feira
A solução encontrada pela Unidade Local de Saúde (ULS) Viseu Dão-Lafões passa pela criação de um "novo ponto de reforço ao atendimento na cidade", que irá funcionar até às 23 horas todos os dias e contar com médicos de Medicina Geral e Familiar.
Para os centros de saúde irão ser encaminhados os casos menos graves, verdes e azuis. Para a urgência, os casos urgentes e emergentes. Uma solução que ainda não tem data para entrar em vigor e que não agrada à maioria dos pais, que promete não baixar os braços. Para a próxima sexta-feira está já marcada uma vigília, desta vez à porta das urgências.
