
Voluntários passeiam cães do canil de Guimarães
Gonçalo Delgado/Global Imagens
Nas manhãs de sábado, 50 voluntários da Sociedade Protetora dos Animais de Guimarães (SPAG) tiram os cães das jaulas e levam-nos a passear.
O Centro de Recolha Oficial de Animais (CRO) está lotado, os seis funcionários não têm mãos a medir e não lhes resta tempo para fazerem este trabalho. Sem estas pessoas, muitos dos cães passariam semanas sem ver a luz do dia. Inicialmente eram cinco, e, como estão limitados a duas horas, viam-se obrigados a fazer escolhas.
"Levava à rua aqueles que me parecia que estavam mais desesperados", afirma Renato, um dos voluntários mais dedicado. O pavilhão do CRO, onde ficam as jaulas dos cães, parece-se com a imagem que temos de uma prisão. Corredores escuros onde se sucedem portas com grades de ferro. Atrás de cada porta, há um cão confinado a um espaço que não é maior que uma cabine telefónica. O interior é escuro e o alvoroço dos animais, irritados por longos períodos em cativeiro, torna a permanência no local insuportável. Na porta de cada jaula há um nome. "Foi uma conquista", afirma Isabel Rodrigues, vice-presidente da SPAG. "Antes, eram simplesmente postos aqui como se fossem coisas", atalha.
Será adotado
Há duas jaulas um pouco maiores, para os cães de grande porte. Numa delas está o Snow, um gigante de pelo branco e temperamento meigo. Renato enfrenta um misto de sentimentos, desde que o Snow encontrou uma família que está pronta para adotá-lo. "Fico feliz por ele, mas vou ter saudades das nossas voltinhas", confessa.
Para conseguir que os animais enjaulados - cerca de 50 - fossem passeados, pelo menos uma vez por semana, a SPAG precisava de mais colaboradores. "Fizemos um apelo para que mais pessoas se juntassem a nós e a resposta foi massiva. Passamos para 22 e, há dois fins de semana consecutivos, somos cerca de 50", refere Isabel Rodrigues. Agora, as ruas à volta do CRO, nas manhãs de sábado, enchem-se de pessoas com cães pela trela.
O perfil dos voluntários é muito variado: há reformados e estudantes de Erasmus, famílias e solitários à procura de companhia. "Quem vem a primeira vez, tende a voltar", aponta Isabel Rodrigues. Talvez porque os animais não escondem a alegria, pulam, correm, pedem festas e retribuem com lambidelas, mas também porque as pessoas não disfarçam a felicidade. "Os animais chegam aqui marcados pelo abandono. Alguns foram alvo de maus-tratos físicos. Em muitos casos nem conhecemos a história, só percebemos que estão traumatizados pelo comportamento", conta Isabel Rodrigues.
Facilidade de acesso
Para esta responsável, "é fundamental que estes animais possam encontrar no canil um ambiente saudável, se queremos que tenham condições para serem adotados". Para alguns dos animais, "ficarem presos numa box escura, num ambiente húmido e barulhento, durante dias, é um passaporte para o desastre", desabafa.
Para melhorar o trabalho que faz com os animais, a SPAG quer mais facilidade de acesso para os seus voluntários, nomeadamente um alargamento do horário de intervenção. E pede que se façam as obras anunciadas. O presidente da Câmara de Guimarães, Domingos Bragança, está disponível para rever o protocolo com a associação, mas defende que o CRO de Guimarães "é dos melhores".

