Xoán Mao avisa que "guerra partidária" pode impedir a conclusão do TGV Porto-Vigo

Reunião da assembleia-geral do Eixo Atlântico decorreu na Corunha
Foto: Direitos reservados
O secretário-geral do Eixo Atlântico, Xoán Mao, acusou, esta quinta-feira, o presidente da Junta da Galiza, Alfonso Rueda, de fazer "eleitoralismo" com a obra do TGV Porto-Vigo. O líder galego reuniu ontem com o autarca do Porto, Pedro Duarte, para exigirem, a duas vozes, a conclusão da ferrovia de alta velocidade até 2032.
Num comunicado divulgado hoje, o secretário-geral da associação Eixo Atlântico do Noroeste Peninsular, que agrega 34 cidades do Norte de Portugal e da Galiza, critica Alfonso Rueda, considerando que tem feito propaganda em relação à ligação transfronteiriça do TGV. "Deveria deixar de fazer eleitoralismo com uma obra à qual não aportou mais do que palavreado e marketing propagandístico. Se a guerra partidária entra na guerra do comboio, nunca haverá comboio", declara, considerando que o atraso da ligação do lado português é "pontual" e semelhante à que se verificou do lado espanhol.
"Trata-se de um problema pontual devido à reformulação do trajeto de construção no traçado de Vila Nova de Gaia e da sua estação. A situação é similar ao atraso que aconteceu em Espanha, com o estudo prévio da saída Sul de Vigo", refere Xoán Mao, sublinhando que tal não corresponde "a nenhum atraso estrutural da obra por parte de nenhum dos governos [português e espanhol]". Afirma também que o projeto "mantém-se dentro dos parâmetros iniciais, com um possível desfasamento de cerca de dois anos".
Aquele responsável ataca ainda o presidente da Junta da Galiza: "Rueda deveria enrolar menos e trabalhar mais. A Galiza continua sem um projeto de comboio de proximidade, ao contrário do que acontece com Euskadi y Cataluña. Ou, por exemplo, a estrada de O Barco de Valdeorras até A Gudiña, que é da competência da Junta e que a população utiliza para ir apanhar o TGV a Madrid, mas que se encontra em condições lamentáveis".
As declarações de Xoán Mao foram partilhadas através de um comunicado, que resultou de uma reunião da assembleia-geral do Eixo Atlântico, realizada ontem na Corunha, onde foi aprovado um plano de atividades e respetivo orçamento, no valor de 5.538.900,52 euros, com foco nas questões da habitação, imigração e pobreza e exclusão social.
Recorde-se que na quarta-feira, os presidentes da Câmara do Porto e da Junta da Galiza exigiram que a ferrovia de alta velocidade nas regiões esteja concluída em 2032, vincando que a ligação Lisboa-Madrid não pode impedir a prioridade do Eixo Atlântico.
Leia também Porto e Galiza exigem TGV em 2032 sem interferência da ligação Lisboa-Madrid
Alfonso Rueda afirmou que ao Governo espanhol compete cumprir "a parte que corresponde ao Ministério de Fomento, que é executar a alta velocidade no tramo que falta até a fronteira portuguesa" desde Vigo, cerca de 60 quilómetros. E afirmou que o objetivo é que "se chegue ao mesmo tempo e que supostos atrasos em Portugal não possam servir de argumento para não atuar em Espanha", lembrando que do lado norte da fronteira o investimento "é muito menos que o esforço que Portugal tem de fazer".

