
A nova Barbie autista vem equipada com fidget spinner, auscultadores que bloqueiam ruídos e tablet com símbolos de comunicação alternativa, refletindo ferramentas que ajudam algumas crianças a lidar com sobrecarga sensorial
Foto: Divulgação
Apostada na inclusão, a Barbie autista chega com acessórios que ajudam a lidar com sobrecarga sensorial e movimentos repetitivos. A nova boneca integra a linha Fashionista, que celebra corpos, estilos e experiências diversas, permitindo que mais crianças se vejam refletidas no brinquedo.
A Mattel apresentou na segunda-feira a sua primeira Barbie autista, pouco tempo depois do lançamento da boneca com diabetes tipo 1. A novidade reforça o compromisso da marca em criar brinquedos inclusivos, pensados para refletir a diversidade do mundo real.
Desenvolvida em colaboração com a associação norte-americana "Autistic Self Advocacy Network" (ASAN), a boneca inclui detalhes que representam algumas formas de experienciar e comunicar o mundo presentes no autismo.
Os olhos da boneca estão ligeiramente virados para o lado, simbolizando a forma como algumas crianças autistas evitam contacto visual direto. Os braços e pulsos totalmente articulados permitem movimentos repetitivos, conhecidos como stimming, enquanto um fidget spinner rosa e auscultadores que bloqueiam ruído ajudam a reduzir o stress e a sobrecarga sensorial. Um tablet com símbolos para comunicação alternativa completa os acessórios, tornando a interação diária mais acessível.

O vestuário foi pensado para conforto: um vestido roxo com riscas finas, de corte A-line, minimiza o contacto com a pele e sapatos rasos garantem estabilidade. Cada detalhe pretende proporcionar uma experiência de brincadeira segura e inclusiva.
Uma coleção que abraça a diversidade
A linha Fashionista já incluía bonecas cegas, com síndrome de Down, próteses, vitiligo, aparelhos auditivos e em cadeira de rodas, além de Kens com diferentes tipos de deficiência. Também oferece corpos variados e tons de pele e cabelo diversificados, mostrando que a diversidade é parte do mundo real.
Jamie Cygielman, chefe global de bonecas da Mattel, explicou: "A Barbie sempre se esforçou por refletir o mundo que as crianças veem e as possibilidades que elas imaginam. Temos orgulho de apresentar a nossa primeira Barbie autista como parte desse trabalho contínuo. Queremos que cada criança sinta que pode ver-se em Barbie".
A iniciativa foi elogiada por ativistas e associações. Jolanta Lasota, diretora da Ambitious about Autism, destacou: "A representação é poderosa, sobretudo numa marca icónica. Esperamos que muitas crianças autistas sintam orgulho ao reconhecerem experiências suas nesta boneca".
Ellie Middleton, autora e fundadora de uma comunidade online para pessoas neurodivergentes, reforçou a importância do brinquedo: "Ela mostra às meninas que ser autista é normal, que ser diferente é aceitável e que se pode sentir orgulho dessas diferenças".
Entre elogios e criticas
Apesar do entusiasmo, a boneca suscitou opiniões divergentes. Pais como Brittani Thornton, mãe de três filhos, dois deles autistas, elogiam a atenção aos detalhes. "Acho incrível que estejam realmente a criar uma boneca inclusiva para pessoas com autismo", afirmou. Para a filha mais nova de Thornton, os auscultadores, o fidget spinner e o tablet de comunicação alternativa são especialmente importantes, refletindo ferramentas usadas no dia a dia da família.
Jennifer Cook, treinadora de relacionamentos e membro da "Autism Society of America", reforça que a representação autista é diversa: "Autismo não tem um único aspeto. Muitas vezes as pessoas não percebem e esperam caricaturas ou estereótipos. Esta boneca permite mostrar que há várias formas de experienciar o espectro autista."
Já a psicóloga Bianca Brooks, do "Children"s Healthcare of Atlanta", sublinha a importância da visibilidade: "Sentir-se visto é fundamental para que as pessoas se sintam compreendidas. É emocionante e empoderador observar modos alternativos de comunicação."
Nem todas as vozes são totalmente favoráveis. O "National Council on Severe Autism" alerta que a boneca representa apenas "uma pequena parcela privilegiada das pessoas autistas" e critica a comercialização da temática, enquanto muitas crianças com necessidades mais complexas continuam pouco visíveis na sociedade.
Apesar das críticas, para famílias como a de Thornton, a boneca é um passo positivo. "Ainda há muito a fazer, mas esta é uma forma de aumentar a consciência sobre o autismo e de reforçar a inclusão desde cedo", concluiu.
Com esta nova Barbie, a Mattel pretende que a brincadeira reflita a vida real, dando às crianças a oportunidade de se sentirem incluídas, representadas e inspiradas a aceitar as suas diferenças com confiança.
Além do brinquedo, a Mattel partilhou nas redes sociais um vídeo intitulado "To be understood is the greatest gift" ("Ser compreendido é o maior presente"). Nele, várias jovens e mulheres no espectro do autismo, incluindo Madison Marilla, Aarushi Pratap e Mikko Mirage, partilham as suas histórias de descoberta pessoal, sentimentos de serem vistas e as suas primeiras reações à nova Barbie autista, criada em parceria com a ASAN. O conteúdo reforça a intenção da marca de dar voz às experiências autênticas da comunidade autista e de celebrar a inclusão desde a infância.

