
Charlotte Casiraghi é mãe de Raphaël, de 12 anos, e Balthazar, de sete
Foto: Valery Hache/AFP
Filha de Carolina de Mónaco revela que não aspira à perfeição e partilha reflexões sobre a maternidade. No seu primeiro livro, "La Fêlure", Charlotte Casiraghi explora fragilidade, vulnerabilidade e a liberdade de ser imperfeita.
Charlotte Casiraghi falou recentemente à rádio francesa RTL sobre a pressão que ainda recai sobre as mulheres para serem mães exemplares. "Há este mito do amor materno que pesa tanto na nossa sociedade: a ideia de que o amor de uma mãe deve ser tudo", confessou. "Não quero diminuí-lo, mas é difícil até questioná-lo."
Aos 38 anos, Charlotte vive em Paris e é mãe de Raphaël, de 12 anos, e Balthazar, de 7. Ao abordar a maternidade, assume sem rodeios que não busca a perfeição. "Que mãe sou eu? Espero ser suficientemente boa. Não tenho a certeza de o ser sempre. Fazemos o melhor que podemos, mas não podemos dizer que somos perfeitas", explicou, citando o psicanalista Donald Winnicott.
Para Charlotte, ser mãe não significa estar sempre disponível ou impecável, mas sim responder de forma empática às necessidades dos filhos e aceitar pequenas falhas. "Eu tento fazer o melhor possível com aquilo que sou. Obviamente há imperfeição, mas o que conta é o amor e o afeto que damos", sublinhou.
A autora falou ainda sobre o peso da maternidade para mulheres que trabalham, sublinhando que a sociedade continua a observá-las e a julgá-las. "Ter filhos é uma enorme pressão emocional e física, e muitas mulheres sentem-se divididas ou observadas quando trabalham muito ou reivindicam tempo para si. É uma realidade que os homens geralmente não vivem da mesma forma."
"Vivemos na era do trauma"
O seu primeiro livro, "La Fêlure", reflete este olhar íntimo sobre a vida. Não é um memoir, mas uma obra literária e filosófica, que atravessa fragilidade, cansaço e resiliência. A influência de autores como F. Scott Fitzgerald e Colette, e de filósofas como Anne Dufourmantelle, é evidente. "Vivemos na era do trauma. Todos podemos e devemos contar as nossas feridas, mas há o risco de nos tornarmos apenas elas", afirmou.
Charlotte mantém uma relação profunda com a escrita desde a infância, como forma de lidar com a perda prematura do pai, Stefano Casiraghi, falecido em 1990. "Escrevia quando estava triste ou zangada. Tornou-se um espaço de expressão", recordou. A literatura e a filosofia moldaram a sua visão do mundo, reforçada pelo mentor Karl Lagerfeld, que a introduziu a autores clássicos e a leituras complexas ainda jovem.
Apesar da visibilidade nas passadeiras vermelhas e do estatuto de ícone da moda, Charlotte valoriza a intimidade e a autenticidade. "Sempre senti um grande divórcio entre a imagem que os outros tinham de mim e o que eu sentia dentro de mim", disse. Com "La Fêlure", procura mostrar quem é verdadeiramente, longe de estereótipos e expectativas sociais, e abrir espaço para uma maternidade menos idealizada e mais humana.

