Mala comprada na feira de Cerveira gera polémica com filha de ministra espanhola

Yolanda Díaz, vice-presidente do Governo espanhol, disse que a mala da filha era uma imitação comprada na feira de Cerveira
Foto: Mariscal/EPA
A vice-presidente do Governo espanhol e ministra do Trabalho, Yolanda Díaz, revelou que a mala usada pela filha de 13 anos era uma imitação comprada por 25 euros na feira de Vila Nova de Cerveira, detalhe que desencadeou uma onda de críticas e reacendeu o debate sobre contrafação.
A feira de Vila Nova de Cerveira, uma das mais conhecidas de Portugal, tornou-se inesperadamente protagonista de uma polémica que atravessou a fronteira. A vice-presidente do Governo espanhol e ministra do Trabalho, Yolanda Díaz, revelou que a mala usada pela filha de 13 anos era uma imitação comprada por 25 euros naquele mercado minhoto, declaração que gerou forte reação em Espanha.
Tudo começou no final de outubro, quando Carmela Díaz foi fotografada à saída de um espetáculo do Ballet Nacional, em Madrid, com uma Tote Bag da marca Marc Jacobs. O modelo, que custa entre 200 e 500 euros no site oficial, gerou críticas nas redes sociais, onde muitos acusaram a governante de ostentar luxo através da filha.
Más de un milón de autónomos en España factura 1000 € al mes.
- Lucia Etxebarria (@LaEtxebarria) October 23, 2025
Si les descuentas la cuota y los impuestos pueden llegar a ganar al mes 600 €.
600€ cuesta el bolso de la hija de 13 años de Yolanda Diaz. 13 años pic.twitter.com/jWXx9mGJNI
A polémica cresceu e, perante os comentários, Yolanda Díaz decidiu esclarecer o caso em entrevista ao canal Antena 3. "Vejam só esta polémica. Incomoda-me bastante que a minha filha, que tem 13 anos, se veja envolvida em falsidades", afirmou. Explicou que a mala tinha sido oferecida pelas primas e que custou 25 euros na feira de Vila Nova de Cerveira, local que visita frequentemente durante as férias de verão em Baiona, na Galiza.
Campanha oficial contra falsificações agrava a polémica
A explicação acabou por gerar ainda mais críticas. O próprio Governo espanhol, do qual Yolanda Díaz faz parte, tem em curso uma campanha institucional contra as falsificações, sob o lema "O dano causado pela falsificação é real". A mensagem alerta para o impacto económico e laboral das imitações, precisamente o tipo de produtos que, há décadas, suscitam ações policiais nas feiras portuguesas.
A feira de Cerveira, realizada todos os sábados, atrai milhares de visitantes portugueses e galegos. Conhecida pela variedade de bancas de roupa, calçado e produtos agrícolas, já foi várias vezes alvo de operações da Guarda Nacional Republicana. Em 2023, foram apreendidos 19 pares de sapatilhas contrafeitas e, três anos antes, o valor das apreensões de artigos falsificados ultrapassou os 200 mil euros, como divulgou o JN.
Em Espanha, o episódio tornou-se tema político e mediático. Várias figuras públicas acusaram a ministra de incoerência e de banalizar o mercado de falsificações. Nas redes sociais, multiplicam-se mensagens irónicas sobre a "mala de Cerveira" e o contraste entre o discurso oficial e a prática familiar.
Entre polémicas, ministra lança nova ofensiva laboral
Enquanto a discussão sobre a mala continuava a dominar as conversas, Yolanda Díaz regressou à arena política com novo foco: o controlo do trabalho digital. Na quinta-feira, a ministra anunciou no Congresso espanhol uma campanha da Inspeção do Trabalho para fiscalizar o uso de algoritmos e sistemas automáticos de vigilância nas grandes tecnológicas a operar em Espanha.
"Empresas como Uber, Cabify ou Amazon terão de cumprir as leis laborais e garantir que a tecnologia não serve para vigiar ou penalizar trabalhadores", afirmou a governante, prometendo atuar com firmeza contra práticas abusivas, como o controlo do tempo passado nas pausas ou o acesso à casa de banho.
Yolanda Díaz sublinhou que pretende assegurar emprego digno no século XXI, lembrando que muitas empresas modernas ainda funcionam com lógicas do século XIX. A campanha, que arranca nas próximas semanas, reforça o papel da Inspeção do Trabalho num momento em que a ministra procura recentrar-se na agenda laboral e afastar-se do ruído mediático.
Apesar da tentativa de virar a página, a "mala de Cerveira" continua a ser tema de conversa nos dois lados da fronteira, símbolo curioso das contradições entre a política, o consumo e as feiras populares que unem Portugal e Espanha.

