Morreu Tatiana Schlossberg, neta de JFK e voz discreta da escrita ambiental, aos 35 anos

Tatiana Schlossberg, escritora e jornalista norte-americana, morreu aos 35 anos
Foto: Ben Stansall/AFP
Neta de John F. Kennedy, Tatiana Schlossberg morreu esta terça-feira, deixando dois filhos pequenos e um ensaio marcante sobre doença, maternidade e memória. A escritora e filha de Caroline Kennedy anunciou em novembro que sofria de leucemia mieloide aguda.
Tatiana Schlossberg morreu esta terça-feira, 30 de dezembro, aos 35 anos. A morte da escritora e jornalista norte-americana foi anunciada através das redes sociais da JFK Library Foundation, em nome da família alargada. "A nossa bela Tatiana faleceu esta manhã. Estará sempre nos nossos corações", lê-se na mensagem assinada por familiares próximos.
Filha de Caroline Kennedy e de Edwin Schlossberg, Tatiana era a filha do meio do casal. Em novembro, tinha tornado público que sofria de leucemia mieloide aguda, uma forma agressiva de cancro do sangue, num ensaio publicado na revista "The New Yorker", no qual relatou o impacto do diagnóstico e o percurso da doença.
A descoberta ocorreu poucas horas depois do nascimento do segundo filho, uma menina, em maio de 2024. Tatiana descreveu que se sentia saudável e ativa, recordando que nadara um quilómetro na véspera do parto e que nada fazia prever a gravidade da situação. O diagnóstico levou a um internamento imediato e ao início rápido de tratamentos intensivos.
Passou semanas internada e em isolamento, conciliando a recuperação física do parto com o início de um tratamento oncológico agressivo. Iniciou quimioterapia ainda debilitada e foi posteriormente submetida a um transplante de medula, além de integrar uma terapia experimental com células CAR-T. No ensaio, explicou que este processo a obrigou a afastar-se dos dois filhos, o que considerou uma das dimensões mais dolorosas da doença.
O peso da herança e um legado escrito
Neta do antigo presidente norte-americano John F. Kennedy, assassinado em 1963, Tatiana Schlossberg pertencia a uma família marcada por perdas sucessivas. No texto que publicou, assumiu a dor de acrescentar mais sofrimento a essa história familiar, recordando que a mãe tinha apenas cinco anos quando perdeu o pai e que, décadas mais tarde, também perdeu o irmão, John F. Kennedy Jr., num acidente de aviação.
Ao longo do ensaio, destacou o apoio constante da família durante meses de tratamentos. A irmã mais velha, Rose, foi compatível para doar células estaminais e realizou a primeira transfusão, enquanto o irmão mais novo, Jack Schlossberg, partilhou publicamente excertos do texto e mensagens de encorajamento, evidenciando a união familiar.
Tatiana Schlossberg construiu um percurso sólido no jornalismo e na escrita. Trabalhou como repórter de ambiente no "The New York Times" e colaborou com publicações como "The Atlantic", "The Washington Post" e "Vanity Fair". Licenciada em História pela Universidade de Yale e mestre em História Americana pela Universidade de Oxford, dedicava-se sobretudo a temas ambientais e planeava um projeto de investigação ligado à conservação dos oceanos.
Nos últimos meses de vida, centrou-se na família mais próxima, em especial no marido, o médico George Moran, e nos dois filhos pequenos. No testemunho que deixou, escreveu que o seu maior desejo era "encher a cabeça de memórias" das crianças e continuar a tentar lembrar, sentir e guardar tudo o que pudesse.
A morte de Tatiana Schlossberg encerra uma vida marcada pela escrita, pelo compromisso com o ambiente e por um relato íntimo que permanece como legado público de coragem, lucidez e humanidade.

