
A modelo e ativista Nadeen Ayoub, de 27 anos
Foto: Miss Universo Palestina
Pela primeira vez, a Palestina terá representação no Miss Universo, ao lado de mais de 130 países em Banguecoque. Nadeen Ayoub apresenta-se como a voz de mulheres e crianças marcadas pelo conflito em Gaza.
Nadeen Ayoub, de 27 anos, modelo e ativista, prepara-se para entrar na história em novembro. A jovem vai ser a primeira palestiniana a subir ao palco do Miss Universo, um concurso seguido em todo o mundo e que, na sua 74.ª edição, decorrerá em Banguecoque, na Tailândia.
Coroada Miss Palestina em 2022, Ayoub viu o seu percurso ganhar uma nova dimensão com a confirmação oficial, no domingo, por parte da organização do concurso. A organização do Miss Universo sublinhou o "orgulho em receber a representante da Palestina", descrevendo-a como um exemplo de "resiliência e determinação".
Oriunda de uma família de Jaffa, cresceu entre a Palestina, o Canadá e os Estados Unidos. Licenciada em Literatura e Psicologia pela Universidade de Ontário, regressou a Ramalá, na Cisjordânia, para trabalhar como preparadora física e professora de psicologia, fundando ainda a "Olive Green Academy", dedicada à capacitação de mulheres em áreas como sustentabilidade e inteligência artificial. Atualmente, divide a vida entre Ramalá e o Dubai.
Uma voz que resiste
Para Ayoub, a participação ultrapassa a dimensão estética. Numa mensagem partilhada nas redes sociais, assumiu-se como porta-voz de uma causa maior: "Carrego comigo a voz de cada mulher e criança palestiniana cuja força o mundo precisa de ver. Somos mais do que o nosso sofrimento - somos resiliência, esperança e o pulsar de uma pátria que vive através de nós".
É também esse lado humano que lhe dá singularidade num palco onde estarão candidatas de mais de 130 países. Ayoub procura transformar um momento de celebração da beleza e da diversidade num espaço de afirmação identitária e política.
Palco global em tempos de guerra
A estreia da Palestina no concurso acontece em plena guerra em Gaza, que já causou mais de 62 mil mortos desde outubro de 2023, segundo dados do Ministério da Saúde do território, confirmados pela ONU. A maioria das vítimas são mulheres e crianças.
Num momento em que cresce a pressão internacional sobre Israel e mais de 145 países já manifestaram intenção de reconhecer oficialmente o Estado palestiniano, a presença de Nadeen Ayoub no Miss Universo ganha também um peso simbólico.
A final realiza-se a 21 de novembro e promete ser, este ano, mais do que uma competição de beleza. A passarela de Banguecoque será, para a Palestina, um lugar de visibilidade e de resistência cultural.

