
O nome da supermodelo britânica aparece cerca de 300 vezes nos documentos, sempre relacionado com eventos sociais e profissionais, sem qualquer ligação a crimes
Foto: Alex Bierens De Haan/ Getty Images via AFP
Documentos públicos revelam encontros, festas e viagens que aproximaram Naomi Campbell do magnata condenado Jeffrey Epstein por solicitação de prostituição de menor e tráfico sexual de menores. A relação, até agora pouco conhecida, inclui convites a eventos em Paris, Moscovo e St. Tropez, e o nome da supermodelo surge cerca de 300 vezes nos registos sem qualquer ligação a crimes.
Emails e agendas recentemente tornados públicos pelo Departamento de Justiça dos EUA revelam uma ligação inesperada entre Naomi Campbell e Epstein. Os documentos mostram que a supermodelo britânica manteve contacto frequente com o magnata norte-americano ao longo de duas décadas, entre telefonemas, encontros e convites para festas e eventos de caridade. Apesar de aparecer cerca de 300 vezes nos arquivos, Campbell não está associada a qualquer crime, sendo as referências ligadas a eventos sociais e profissionais.
Entre os momentos destacados estão a festa de aniversário de Campbell em 2004, em St. Tropez, um evento da Dolce & Gabbana em Paris e uma iniciativa de angariação de fundos em Moscovo para a ONG NEON, voltada para a saúde e educação de crianças. Estes encontros ilustram o círculo de relações sociais da supermodelo e a sua presença em algumas das festas mais exclusivas da época.
Os documentos incluem mensagens trocadas entre a equipa de Naomi Campbell e os assistentes de Epstein, como Sarah Kellen e Lesley Groff. Em maio de 2015, Groff escreveu: "Por favor, ligue para Naomi Campbell. Ela está em Espanha, mas está acordada."
Em 2010, a modelo enviou convites para festas em Paris e Moscovo, pouco depois da libertação de Epstein, que havia cumprido pena por solicitação de menor. O evento na Rússia decorreu enquanto Epstein cumpria prisão domiciliária e destinava-se a angariar fundos para crianças, segundo a própria organização.
O fim da amizade parece ter ocorrido em janeiro de 2016, quando Campbell solicitou o uso do jato privado de Epstein para uma viagem a Miami. As mensagens indicam que o pedido não se concretizou e que a modelo deixou de responder às tentativas de contacto. Epstein acabou por instruir o piloto a providenciar um voo alternativo, mas o encontro nunca se realizou.
Naomi conheceu Epstein em 2001, em St. Tropez, durante o seu aniversário, convite feito pelo então namorado Flavio Briatore. Estavam presentes também Ghislaine Maxwell e a vítima menor Virginia Giuffre, fotografada a poucos metros da supermodelo. A participação de Campbell em eventos ligados a Epstein é confirmada, embora a própria negue envolvimento em situações de abuso.
Apesar destas revelações, em 2019, Campbell afirmou: "O que [Epstein] fez é indefensável, e quando ouvi fiquei enjoada como toda a gente. Tive a minha quota de predadores sexuais, mas graças a Deus tive pessoas boas à minha volta que me protegeram. Estou do lado das vítimas. Elas ficam marcadas para sempre."
Os documentos mostram ainda que Naomi Campbell figurava na lista de contactos de Jeffrey Epstein enquanto este cumpria pena e participou em reuniões de trabalho para potenciais projetos de moda. O advogado da supermodelo reiterou que ela desconhecia os crimes de Epstein e que a sua relação se limitou a encontros de negócios e aparições públicas.

