Entrevista

Filipe Pinto: "Sinto que é preciso viver em Lisboa para se estar na música"

Filipe Pinto: "Sinto que é preciso viver em Lisboa para se estar na música"

Há dez anos venceu o programa "Ídolos", mas hoje Filipe Pinto reconhece que perdeu alguma notoriedade por distanciamento da "metrópole" do país.

Foi há dez anos que Filipe Pinto venceu a terceira edição do programa "Ídolos". Apesar de terem sido umas amigas a inscrevê-lo, não esconde que o formato "foi uma mudança de vida e que alavancou muito mais rapidamente o caminho na música".

Em entrevista ao JN, o cantor, 31 anos, revelou que o programa lhe deu a oportunidade de se dedicar mais a este talento, através da bolsa de estudos na "London Music School", e perceber que "a música como um negócio". Hoje, reconhece, porém, que houve uma perda de notoriedade. Mas aponta algumas razões: "Houve falhas minhas, em termos de comunicação, mas também houve um distanciamento quanto à que é a metrópole do nosso país, que é Lisboa".

Aquando do lançamento do seu álbum de estreia, "Cerne", em 2012, confessa que viveu na capital durante um ano, mas logo decidiu regressar ao Porto. "Sinto, de facto, que é preciso viver em Lisboa para se estar mais dentro da música. Não que no Porto seja impossível, mas porque os meios de comunicação se centram mais lá. Senti muita necessidade em ir para Lisboa".

Hoje em dia, Filipe alia o seu curso superior - Engenharia Florestal -, à vertente musical. O artista criou um projeto de consciencialização ambiental dedicado aos mais novos. "Sou um grande defensor das questões ambientais e este projeto veio como uma lufada de ar fresco, que eu tanto precisava. Deu-me muita vida, deu-me um outro Filipe Pinto".

Cavaquinho inspirador

"Planeta limpo do Filipe Pinto" surgiu quando lhe ofereceram um cavaquinho para criar novas canções. "Não conseguia construir músicas "roqueiras" ou mais pop. Tudo me soava como uma melodia, tudo muito calminho. E a partir daí comecei a pensar porque não escrever também canções infantis". Mas esta iniciativa do cantor não se fica só por cantar para crianças. "Além das canções infantis, pensei que poderia haver um lado de pedagogia, algo relacionado com o ambiente, a água, os solos e a reciclagem". "Passei a ir a escolas e a auditórios. Em termos de feedback, o que me chega é espetacular. Sinto que, com as crianças, é que é tudo muito puro, genuíno".

Filipe confessa que esta proximidade com os mais novos fez com que o desejo de ser pai aumentasse. Agora, é pai de Isabela, de 11 meses, e salienta que "é maravilhoso". No entanto, frisa: "O principal é poder ser um exemplo para alguém. Preocupo-me em dar muito amor, proteção, mas também são precisos valores e muita disciplina". O cantor não esconde que "a nível mais romântico, as coisas vão mais de vagar", até porque Isabela "ainda é muito pequenina. Mas em termos de família e a nível profissional, as coisas têm de se organizar e isso só é possível com muita calma e tranquilidade".

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