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Lena Coelho: moda das Doce inspira projeto a solo

Lena Coelho: moda das Doce inspira projeto a solo

Elemento da banda feminina dos anos 1980 lamenta que só agora haja um filme biográfico.

Foi no palco que quase nasceu e é no mundo artístico que quer continuar a apostar, apesar de não adiantar, para já, o nome do novo projeto. Helena Coelho, uma das Doce, ao lado de Laura Diogo, Fátima Padinha e Teresa Miguel, chegou a produzir a banda Docemania, teve um grupo chamado Sucesso e arquiteta "um novo projeto" artístico, numa altura em que as Doce voltam a estar em alta com o filme "Bem bom". "Sempre adorei o teatro, os meus pais eram artistas e eu ia caindo no fosso da orquestra do Teatro Variedades quando rebentaram as águas à minha mãe", lembra Helena Coelho (geralmente tratada por Lena), para justificar o amor pelo meio. "De resto, sou mãe, dona de casa, tenho animais, um jardim e ninguém a chatear-me."

A cantora e produtora lembra os loucos anos 1980, altura em que a banda chegou a ser comparada "às mulheres do Cais do Sodré". "Estamos a falar de uma era patriarcal, de machismo: se quiséssemos sair do país tínhamos de pedir autorização ao marido e nem usar decotes e batom vermelho podíamos. As Doce vieram dar esse grito do Ipiranga às mulheres, elas revoltaram-se e adotaram outra postura na vida."

Mas, para Lena Coelho, o empoderamento feminino ainda tem muitos passos para dar. "Hoje ainda se sente mais essa luta e é preciso que apareçam mulheres, porque há uma grande discrepância em relação aos homens. Trabalhamos tanto ou mais, somos mães e donas de casa. A mulher ficou mais ousada, respondona, bate mais o pé, mas de resto ainda há um mundo por fazer", considerou em conversa com o JN.

"Isto não é um regresso"

Sobre as antigas colegas Laura Diogo, Fátima Padinha e Teresa Miguel, que em 1982 representaram Portugal no Festival da Eurovisão, no Reino Unido, confessa que o contacto é "raro": "A Laura está na América, a Fá [Fátima Padinha] mudou-se para o Norte, a Teresa, infelizmente, está doente e à espera de ser operada. Espero que recupere. Mas que fique claro que não há crises entre nós", sublinha.

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E, por falar em crises, Ágata mostrou-se revoltada por, apesar de ter integrado a banda, não ser retratada. O JN quis ouvir a opinião de Lena Coelho. "Você lembra-se das Doce, não se lembra? Quem eram?", desafia o jornalista. Perante a resposta "Lena Coelho, Fá, Laura e Teresa", a cantora remata: "Pronto. Já deu a resposta à sua pergunta".

Antes de concluir a entrevista, quis deixar um lamento: "Isto não é um regresso das Doce. Nós continuámos a pairar no mundo musical, só que parece que as pessoas se esqueceram, assim como as editoras, as televisões, principalmente a RTP, que foi a nossa casa mãe, e a Polygram, hoje Universal".

As palavras finais vão para a realizadora de "Bem bom", também o título da música que o quarteto levou à Eurovisão: "Finalmente apareceu a grande Patrícia Sequeira. Tinha de ser uma mulher a prestar-nos uma derradeira homenagem justa. Como não houve nenhuma mulher com eles no sítio como a Patrícia, só aconteceu agora".

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