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António Costa elogia impulso reformista de Sócrates e visão estratégica de Guterres

António Costa elogia impulso reformista de Sócrates e visão estratégica de Guterres

António Costa alertou esta sexta-feira para o facto de que, se o PS pensar como a Direita, acabará por governar como esta, enaltecendo os governos de Guterres e Sócrates.

António Costa apresentou esta sexta-feira, no Porto, a sua candidatura às eleições primárias do PS, onde defendeu que "não basta garantir uma simples alternância", já que isso só "servirá para criar mais desilusão, mais descrença, mais desconfiança".

"Não tenhamos dúvidas: se pensarmos como a Direita pensa, acabamos a governar como a Direita governou. A mudança necessária exige rutura com a atual maioria e a sua política", enfatizou.

Criticou ainda o Governo de Direita por ter dividido, explorado os piores sentimentos e rivalidades, ter atirado os portugueses uns contra os outros e diabolizado grupos etários, sociais e profissionais.

Logo depois, o presidente da Câmara de Lisboa enumerou aquilo de que o país precisa e pelo qual se compromete a lutar. "Portugal precisa de pacificação e os portugueses anseiam por estabilidade no seu quotidiano. O PS lutará pela coesão, promoverá compromissos, estimulará as parcerias, a concertação, o trabalho em rede e a responsabilidade solidária. Numa palavram unirá os portugueses para mobilizar Portugal", disse.

Para António Costa, "o PS deve orgulhar-se da visão estratégica que enunciou o Governo liderado por António Guterres e do impulso reformista com que, sob a liderança de José Sócrates, assumiu o Governo em 2005".

"Contudo, estávamos ainda especialmente vulneráveis quando em 2008 se desencadeou a maior crise mundial dos últimos 80 anos e a Europa falhou, primeiro por hesitação, depois pela sucessão de estratégias contraditórias e, finalmente, por dogmatismo ideológico, na resposta à crise", justificou.

O candidato à liderança socialista considera por isso que "o erro de diagnóstico conduziu ao erro na terapia" e a insistência na austeridade só continuará a agravar esta situação.

"Há que recuperar o tempo perdido", defendeu, realçando que "parte importante da solução" dos problemas de Portugal "exige uma mudança na Europa", para a qual é preciso um Governo que "não abdique" de contribuir para que isso aconteça e se "bata pela defesa dos interesses nacionais".

Para Costa, a fórmula dos socialistas está traçada: "Somos europeístas mas não podemos ser 'euro-ingénuos'".

Apesar de Portugal não depender só de si próprio, o dirigente socialista considera que o país não pode adiar aquilo pelo qual é unicamente responsável.

"Temos que ser ao mesmo tempo idealistas e realistas. Realistas porque não nos iludimos, conhecemos as realidades e os constrangimentos. Idealistas porque temos ideais, valores e princípios que inspiram o nosso programa e têm de marcar a nossa governação", defendeu.