
O candidato à liderança do PS Francisco Assis defende que, "num dia não muito distante", a "sociedade vai exigir" uma reforma dos partidos políticos que terão de abrir as eleições primárias aos cidadãos em geral.
"Eu tinha a noção que esta era uma solução arriscada do ponto de vista eleitoral, mas também tenho a noção absoluta que nós temos que seguir, mais tarde ou mais cedo, por este caminho, que a sociedade vai exigir aos partidos políticos esta reforma e por isso entendi que devia correr todos os riscos apresentando esta proposta", salientou Francisco Assis, momentos antes de dar início ao terceiro e último debate frente a António José Seguro, terça-feira à noite, no Porto.
Questionado sobre se esta sua proposta pode pôr em causa a sua própria eleição, respondeu: "Não tenho a certeza de ter perdido e tenho até a ambição de ganhar alguma coisa por uma razão muito simples: os políticos não se devem limitar a fazer considerações vagas, genéricas, muito abstratas, com o intuito de não desagradar a ninguém em momentos em que se apresentam a eleição".
Pelo contrário, acrescentou, "devem bater-se por aquilo em que acreditam e devem procurar explicar aos outros e convencer os outros da bondade das soluções que preconizam".
Para Assis, "esta proposta está a fazer o seu caminho", e mesmo que não vença no próximo fim-de-semana, "num dia não muito distante, esta proposta vai claramente ganhar".
O candidato voltou a defender que "teria preferido que este debate fosse também aberto ao exterior, porque o PS é um partido muito aberto numa sociedade cada vez mais aberta, onde as pessoas gostam de discutir a vida dos partidos políticos".
Disse mesmo estar "confiante até ao último instante" que irá ganhar as directas frente a António José Seguro.
Sobre o futuro do Partido Socialista, enquanto oposição, realçou que o PS deve "assumir compromissos sérios com o Governo, desde logo aqueles que resultam do memorando" assinado.
Sublinhou, porém, ser necessário "construir uma política alternativa também na área económica", conciliando "a adopção de políticas orçamentais de carácter recessivo com a criação de uma perspectiva de crescimento económico a prazo em Portugal".
Isso, frisou, "passa pela manutenção de políticas públicas exigentes em matérias fundamentais como a educação, a formação, a inovação e investigação científica, por conseguir libertar alguma disponibilidade para investimento público, que só se pode conseguir num contexto de articulação com a Europa, e passa também por uma nova perspetiva do que deve ser o papel da Europa na resolução dos problemas financeiros e económicos com que estamos confrontados".
