
O Bloco de Esquerda anunciou, esta sexta-feira, que vai pedir a presença do ministro da Educação e Ciência no Parlamento para prestar explicações sobre a contratação de professores ao mês, que os bloquistas consideram ser inaceitável.
Em declarações aos jornalistas, no Parlamento, a deputada do BE Ana Drago disse que "o Ministério da Educação confirmou à comunicação social que os milhares de professores que hoje fazem falta nas escolas que tiveram agora o arranque do ano lectivo -- muitos dos quais dão aulas a contrato há quinze, dez ou oito anos -- vão ser contratados ao mês".
Segundo Ana Drago, trata-se de "uma situação inaceitável e nunca vista em qualquer país desenvolvido", que constitui "o grau zero de respeito requerer pelos professores e pela estabilidade dos corpos docentes", e por isso o BE quer ouvir o ministro Nuno Crato na Comissão de Educação.
Questionada sobre quantos professores poderão estar na situação de serem contratados ao mês, a deputada do BE respondeu que com os números facultados pelo Ministério da Educação "é muito difícil de apurar", mas que as indicações dadas pelas escolas permitem concluir que serão "milhares de professores, provavelmente os oito mil que não foram colocados na primeira fase do concurso".
Ana Drago assinalou que "ao longo dos últimos seis anos houve 23 mil professores que se aposentaram e quem foi substituir estes professores trabalhou sempre com contrato precário de ano a ano", acrescentando: "Agora vão trabalhar com contrato de mês a mês".
A deputada do BE observou que "o sector da educação é o que tem mais precariedade laboral", mas que nunca esperou "que fosse possível contratar professores ao mês, ou seja, como hoje um director de uma escola dizia, um bocado como se fosse uma mulher a dias".
E sugeriu que se imagine a situação de "um professor ou uma professora que tenha um filho pequeno, que quer ficar com uma vaga, que vai trabalhar um mês a 500 quilómetros de distância e não sabe sequer se vai alugar um quarto por mais tempo ou não".
"Pouco falta para que o Ministério da Educação venha dizer que vai contratar professores ao dia, ou a recibo verde, por umas horas que possam dar nas escolas. É mesmo uma absoluta indignidade", considerou.
