
O presidente da República confessou, este sábado, o orgulho que sente ao ver portugueses a trabalhar em instituições como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, considerando que se tratam de "embaixadores" de Portugal.
"Para mim enquanto presidente da República é um certo motivo de orgulho saber que portugueses são seleccionados de acordo com os critérios mais exigentes que eu conheço dessas instituições para ocuparem lugares de destaque", afirmou o chefe de Estado, Cavaco Silva.
O presidente da República, que falava durante um encontro que teve em Washington com funcionários portugueses do Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional, Banco Interamericano de Desenvolvimento e também na Reserva Federal norte-americana, classificou-os mesmo como "embaixadores de Portugal".
"Embaixadores" que ajudam os norte-americanos a conhecerem melhor Portugal e a terem "uma imagem correta" do país, "principalmente nesta fase da crise do Euro, do abrandamento da economia mundial", acrescentou.
Lembrando o "esforço enorme" que está a ser feito, o presidente da República assegurou que os grandes desafios que Portugal tem pela frente serão superados. "Quero vir dizer aqui que isto vai mesmo acontecer, não é retórica", enfatizou.
Já no final da sua intervenção, feita de improviso, Cavaco Silva deixou a "esperança" de que estes portugueses "altamente qualificados" um dia regressem a Portugal, recordando que ele próprio também viveu três anos em Inglaterra, mas acabou por voltar dez dias antes do 25 de Abril por causa daquela "mania da saudade".
No memorial de Roosevelt
Antes deste encontro com portugueses residentes nos Estados Unidos da América, Cavaco Silva esteve no memorial a Roosevelt, elogiando as decisões económicas "da maior importância" que tomou para "tirar os Estados Unidos e o mundo da recessão".
"A desvalorização do dólar, quando ele afasta o dólar do ouro e é isso que vai resolver a crise muito forte do sistema bancário de então e dá um grande impulso à economia norte-americana", referiu.
Uma 'receita' que horas depois, um dos portugueses com que Cavaco Silva se encontrou e que trabalha na Reserva Federal norte-americana, também defendeu.
"O mandato do Banco Central Europeu devia também ser para o crescimento, devia haver o aumento da expansão monetária para tentar de alguma forma acordar a economia e devia claramente tentar também desvalorizar um bocadinho a moeda para também tentar ajudar as exportações e diminuir as importações", preconizou Bernardo Cruz Morais, em declarações aos jornalistas antes do encontro com o Presidente da República.
Já Paulo Medas, do Fundo Monetário Internacional, preferiu falar do futuro da Europa, dizendo esperar que o Euro sobreviva, e comparando a instituição onde trabalha a um médico. "O FMI é um tipo de médico que é chamado quando um país está doente", disse, assegurando que o objectivo final da instituição é sempre ajudar o país a crescer.
Em relação a Portugal, Paulo Medas disse esperar que "recupere rapidamente", mas classificou como o mais importante de tudo que o país encontre uma forma de voltar a crescer. "Voltar a crescer é o mais importante", referiu.
