
Cavaco Silva deixou recados na mensagem de Ano Novo
MIGUEL A. LOPES/LUSA
Cavaco Silva avisou esta quinta-feira, na sua mensagem de Ano Novo, que a construção de soluções governativas estáveis não deve ficar para depois das eleições. E, seja qual for o resultado, defende compromisso e diálogo. Além disso, rejeitou promessas populistas e um clima de facilidades.
Num discurso cheio de recados às forças partidárias, o presidente da República desafiou-as a iniciarem já a preparação do período pós-eleitoral. Um apelo dirigido sobretudo à Direita, quando no PSD e no CDS reina a indefinição sobre a sua estratégia para as legislativas.
"Não é só no dia a seguir às eleições que se constroem soluções governativas estáveis, sólidas e consistentes, capazes de assegurar o crescimento económico e dar esperança aos portugueses. O período pós-eleições deve corresponder à consolidação de um tempo de confiança no nosso país, quer no plano interno, quer no plano internacional", defendeu Cavaco Silva.
Para o chefe de Estado, "seja qual for o resultado eleitoral", o tempo que se seguirá às legislativas "será marcado por exigências de compromisso e de diálogo". Por isso mesmo, do início ao fim, insistiu na criação de pontes entre os partidos, para além da Direita.
Aliás, logo após os votos de feliz 2015 e as saudações, avisou que "Portugal tem ainda um longo caminho a percorrer", que "deve ser feito em conjunto, com abertura e diálogo entre as diversas forças partidárias, contando com o contributo dos agentes económicos e parceiros sociais, e unindo os portugueses".
Porque 2015 será "um ano de escolhas decisivas para o futuro do país", aproveitou para apelar aos portugueses contra a abstenção: "é essencial participar ativamente".
Do lado dos partidos, "é fundamental evitar crispações e conflitos artificiais que têm afetado a confiança" dos cidadãos na classe política. E as forças partidárias "devem ser claras nas suas propostas".
"Rejeito em absoluto uma ideia demagógica e populista, que alguns pretendem incutir na opinião pública, segundo a qual os partidos e os seus dirigentes se alheiam dos interesses do país e das aspirações dos cidadãos", sublinhou Cavaco, para concluir que "devemos rejeitar o populismo e fazer um esforço de pedagogia democrática". Neste âmbito, crê que os partidos devem dar o exemplo.
Não prometer o que não é possível cumprir
"Há que ser cuidadoso nas promessas eleitorais que se fazem e que, não podendo depois ser cumpridas, acentuam perigosamente a desconfiança dos cidadãos", alertou Cavaco. Essa é precisamente a crítica da Esquerda a Passos Coelho desde as legislativas.
"Há que evitar promessas demagógicas e sem realismo. Devo ser claro: é errado pensar que os problemas que o país enfrenta podem ser resolvidos num clima de facilidades", prosseguiu o presidente. A propósito, diz que o país está sujeito às exigências de disciplina orçamental e de sustentabilidade da dívida pública e não pode regredir para uma situação semelhante à de princípios de 2011.
Há uma semana, Passos Coelho defendeu que este era o primeiro Natal sem "nuvens negras" no horizonte. Mas avisou também que é "muito importante" proteger o que o país já conseguiu.
Para Cavaco, os fundos europeus "são um trunfo que não podemos desperdiçar".
