
O presidente da República vai convocar uma reunião do Conselho de Estado "em breve", anunciou, este sábado à noite, Marques Mendes, considerando que a principal preocupação de Cavaco Silva é garantir a estabilidade, evitar uma crise política e, sobretudo, ruturas entre os partidos da coligação, PSD e CDS.
Anunciando que a reunião dos conselheiros de Estado "é dado adquirido e confirmado", disse crer que "será um sinal de o presidente está atento e que, de alguma forma" pretende "que as pontes para os consensos políticos" saiam reforçadas. Além disso, avisou que, a manter-se o comportamento "um pouco arrogante" do ministro das Finanças, um dia "o CDS pode dizer: ou sai Gaspar ou acaba a coligação".
No comentário semanal na SIC, adiantou que o Conselho de Estado reunirá "nas próximas semanas", sendo a preocupação central "com a estabilidade", porque "seria mau" haver "uma crise política", e também com a necessidade de "evitar ruturas". Isto, considera Marques Mendes, porque "houve um tempo novo que se abriu".
"No futuro, pode haver tensões maiores na coligação", avisou, quando Pedro Passos Coelho "deu sinais de que já não acredita em ganhar eleições", numa "espécie de deitar a toalha ao chão" que poderá criar problemas internos quando "dirigentes e deputados" perceberem que "vão perder tudo".
Porém, pelo contrário, explicou o comentador, "Paulo Portas não desistiu de ganhar eleições". Porque pode haver uma rutura entre os partidos da coligação, Mendes disse que, "a bem do país, é bom que se entendam".
Ainda segundo este comentador, as palavras de Cavaco Silva aquando do 25 de abril sobre a necessidade de consenso e estabilidade eram dirigidas ao interior da coligação e não "para fora", para a Oposição.
Entretanto, considerou que o Governo "facilita a vida" a António José Seguro, após as novas medidas de austeridade que anunciou esta sexta-feira. "E o poder vai lhe cair nos braços", disse, numa referência ao líder socialista.
