O líder parlamentar do PS, Ferro Rodrigues, defendeu que o Presidente da República, que propôs, este domingo, uma reflexão urgente sobre o regime político português, também devia ter feito uma autocrítica pelas funções públicas que exerceu.
"O senhor Presidente da República, tendo sido primeiro-ministro durante dez anos e sendo Presidente da República também praticamente há esse tempo, falando da crise do sistema político, devia também ter feito a sua própria autocrítica, coisa que não fez", afirmou Ferro Rodrigues, em declarações aos jornalistas, no final das comemorações oficiais do 5 de outubro, realizadas no salão nobre da Câmara Municipal de Lisboa.
Pedro Passos Coelho considerou, por sua vez, que a intervenção do Presidente da República foi "bastante útil e apropriada", dizendo "olhar com bons olhos" o apelo ao compromisso. "Ouvi com muita atenção a intervenção do senhor Presidente da República. Creio que ele expressou preocupações que são de todos os portugueses", disse Passos Coelho, aos jornalistas, à margem de um almoço com a Associação de Jovens Empresários (ANJE), em São Bento.
Por sua vez, o BE defendeu que o Presidente da República persistiu "no erro" de insistir no "compromisso" à volta da "política de austeridade" e que é isso que leva ao desagrado para com as instituições democráticas.
"Quando, persistindo no erro, o Presidente da República insiste na chamada cultura de compromisso à volta de mais do mesmo, da política de austeridade, da política da 'troika' sem a 'troika', esse compromisso é aquele que fatalmente leva a um aumento do desagrado das cidadãos e das cidadãs em relação às políticas que se têm seguido", afirmou aos jornalistas o deputado do Bloco de Esquerda Luís Fazenda.
