Santana Lopes não quer opinar sobre as directrizes traçadas pelo novo líder social-democrata. Marques Mendes destaca a "marca distintiva" de um partido de poder; e antigos deputados, o cunho liberal sobre o direito à escolha dos modelos de educação e de saúde.
Para Luís Marques Mendes - que não esteve em Carcavelos -, a intervenção final de Pedro Passos Coelho no congresso do último fim-de-semana "foi, sobretudo, um discurso de esperança. E esta é uma marca distintiva essencial", disse ao JN.
"Um partido alternativo de poder não se pode limitar a diagnosticar e a criticar. Tem de saber gerar esperanças e expectativas", acrescentou o antigo líder.
Questionado sobre a aparente viragem à Direita - com medidas semelhantes às já propostas pelo CDS-PP -, Mendes preferiu realçar o resultado: "Este é um caminho correcto e uma visão estratégica que pode vir a fazer toda a diferença com o passado do partido e com o presente do Governo".
Já o ex-deputado Azevedo Soares recusa que a estratégia seja uma via mais liberal para cativar o eleitorado "roubado" por Paulo Portas: "Pode haver coincidência numa ou noutra matéria com o CDS, mas isso não significa um sinal de viragem à Direita".
Quanto ao discurso, "marca uma grande diferença de estilo em relação ao que o PSD foi fazendo nos últimos dois anos". E "deixou de contribuir para a obsessão com o eng. Sócrates". "Foi um discurso virado para o que há para fazer, para a disputa do poder e para uma nova forma de governar o país melhor para o tirar da crise", concluiu.
António Pinheiro Torres (deputado entre 2002-05) destaca a liberdade de escolha na saúde e no ensino que, salienta, "terá de ser muito bem explicada para se perceber que não se trata de privatizar". Realçando "a justíssima exigência de uma retribuição por parte de quem recebe subsídios sociais" e o recado "para o Estado não asfixiar as Instituições Particulares de Solidariedade Social" (IPSS).
"Já era tempo de se ouvir..."
"O compromisso para ir ao fundo das questões políticas da revisão do programa do partido e da revisão constitucional" são os aspectos eleitos por Mota Amaral. Para o ex-presidente da Assembleia da República, foi ainda importante Passos Coelho ter dito que "o PSD não tem pressa em chegar ao poder".
"Ele frisou bem que o PSD é um partido social-democrata e que serão sociais-democratas as propostas", disse, ao JN, refutando que tenha virado à Direita. O que há é "uma descolagem em relação às soluções estatizantes na busca da solidariedade e uma ampla margem dada à iniciativa privada".
Para o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros de Durão Barroso, Passos "pôs os pontos nos 'is' em todas as prioridades que traçou: no plano político, institucional e no sector económico e financeiro". "Já era tempo de se ouvir a posição do PSD que não se confunde com a de outros partidos ", acentuou Martins da Cruz.
