Silva Pereira acusa Ferreira Leite de "arrogância" ao lançar "suspeições totalmente infundadas", tentando envolver o Governo num negócio que ainda não se confirmou entre a PT e a Media Capital.
O ministro da Presidência falava aos jornalistas no final do Conselho de Ministros, depois de confrontado com a polémica em torno da possível compra pela PT de 30 por cento do capital da Media Capital, que controla a TVI.
Silva Pereira pegou nas declarações públicas feitas à Agência Lusa pelo presidente do Conselho de Administração da PT, Henrique Granadeiro, para sustentar a tese de que “ninguém desta empresa fez qualquer comunicação ao Governo", sobre o negócio.
"Esta declaração do presidente da PT confirmou aquilo que o primeiro-ministro [José Sócrates] teve a ocasião de dizer no Parlamento [na quarta-feira] e desmente frontal e categoricamente as suspeições totalmente infundadas que a doutora Manuela Ferreira Leite, enquanto líder do PSD, dirigiu ao Governo, num estilo que parece estar a fazer o registo habitual do PSD nesta sua fase pós eleições europeias. É um registo de suspeição e arrogância na forma como suscita essas suspeições", acusou o ministro.
De acordo com a versão deste membro do Governo, "como era sua obrigação legal em matéria de transparência, a PT terá comunicado à Comissão de Mercados de Valores Mobiliários (CMVM) a existência de contactos entre a PT e a Media Capital".
"Informou também, pela voz do seu presidente, que isso não significa que exista qualquer perspectiva de negócio entre a PT e a Média Capital, o que a acontecer obrigaria a levar o assunto ao Conselho de Administração [da empresa]. É também do conhecimento público que a Média Capital hoje mesmo confirmou este entendimento da PT no sentido de que o que se diz sobre o negócio, pelo menos nesta fase, significa apenas rumores e nada mais do que isso", apontou.
Para Pedro Silva Pereira, o Governo também entende que "deve haver transparência em todas as operações relativas a negócios eventuais entre a PT e a Media Capital, em particular se houver negócio".
"Mas, neste momento, os intervenientes o que dizem é que não há neste momento a perspectiva de negócio, pelo menos tendo em conta as informações actualizadas que disponibilizaram. O Governo não dispõe de outras informações que não aquelas que publicamente foram prestadas pelos diferentes intervenientes neste processo", assegurou.
Neste quadro, segundo a tese de Pedro Silva Pereira, "o Governo não se pode pronunciar sobre um negócio que desconhece".
Em novo ataque à presidente do PSD, o ministro da Presidência reiterou que "o Governo rejeita qualquer suspeição infundada".
"Quando alguém repetidamente recorre à suspeição e não é capaz de apresentar nenhuma prova daquilo que diz e acusa, então verdadeiramente toda a argumentação em torno de uma alegada política de verdade fica em crise", afirmou, numa referência a um dos "slogans" usados pela líder do PSD.
