
A banda que, esta quinta-feira, animou a campanha do Movimento Alternativa Socialista (MAS) na feira de Barcelos tinha acabado de tocar "Oh tempo volta p'ra trás" e deu o mote a Gil Garcia para reclamar a saída de Portugal do euro.
"O euro afundou o país. Passámos de uma dívida de cerca de 60% do PIB antes de integramos a moeda única para cerca de 131% e ninguém equaciona a presença de Portugal na moeda única? Tem de se equacionar. Não é uma vaca sagrada, a moeda única", afirmou o cabeça-de-lista do MAS.
Para Gil Garcia, é preciso que Portugal volte a ter capacidade de emitir moeda, "de modo a investir na economia o dinheiro que está a sair todos os anos".
O candidato a eurodeputado disse que "o euro é uma moeda forte e a economia portuguesa não estava preparada para uma moeda forte. E isso gerou mais um milhão de desempregados".
Além da saída do euro, o MAS elegeu como outra das bandeiras da campanha o combate à corrupção, um fenómeno que Gil Garcia rotulou de "gritante" em Portugal.
Durante a ação de campanha do MAS na feira de Barcelos, eram muitos os presentes que iam perguntando "quem é este senhor?", mas Gil Garcia considerou isso "natural" e avançou, confiante.
"Quem sabe se não teremos hipóteses de eleger um deputado?", atirou, apontando o caso registado em Itália, em que o movimento "5 estrelas" obteve uma votação "muito interessante" quando antes "ninguém [lhe] dava crédito".
Apelando a que as Europeias se traduzam num "cartão vermelho" dos portugueses ao Governo, Garcia acrescentou que a partir dessas eleições o MAS está aberto a "confluências de esquerda", para tentar romper com a "falsa dicotomia PS-PSD".
Após falar com os jornalistas, a comitiva do MAS seguiu pela feira, ouvindo aqui e ali queixas sobre o desemprego, as reformas, a 'troika' e a crise.
Quando a banda tocava "A ternura dos 40", uma mulher que passava improvisou uma nova letra: "Não adianta deitar contas à vida que o raio desta crise não tem cura nem saída".
"Se votarmos sempre nos mesmos que governaram até aqui, está visto que não há saída. É preciso mudar, é preciso mudar. Mas mudar não é votar no PS, que António José Seguro mais parece um clone do Pedro Passos Coelho", ia atirando Gil Garcia.
