O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, alegou hoje, segunda-feira, que o seu partido, o maior da oposição, e o Governo estão com papéis trocados e pediu um debate realista sobre a reforma da política social.
"Isto está tudo às avessas. Está o maior partido da oposição a exibir o realismo e o sentido de responsabilidade que se deve exigir aos governos e o Governo a dizer ao país 'não se preocupem que isto está tudo bem', como se tivéssemos eleições daqui a meio ano e a nossa preocupação fosse a campanha eleitoral", declarou Pedro Passos Coelho, num hotel de Lisboa.
Na intervenção com que encerrou mais um encontro da plataforma de debate político "Construir Ideias", que criou antes de ser presidente do PSD, Passos Coelho defendeu é preciso encarar a política social tendo em conta o crescimento actual da economia portuguesa, "que é incipiente, mas é o que existe".
"Enquanto ele for escasso como é, nós temos mesmo de perder mais tempo para saber como aplicar melhor o nosso dinheiro", disse.
"Se todo o conjunto da prestação social representa hoje mais de 70 por cento da nossa despesa pública, temos de discutir bem se aqueles que levam o dinheiro são aqueles que precisam e se a maneira como estamos a gastar o dinheiro é a mais correta", reforçou.
Segundo o presidente do PSD, "não deixa de ser irónico que o principal partido da oposição insista em fazer este debate com este realismo quando esbarra no Governo com a atitude oposta, que é a de que o domínio das possibilidades é total e de que só por má fé é que haveremos agora de colocar restrições".
"É um convite sereno a que voltemos a um debate de seriedade sobre estas matérias que aqui quero deixar", acrescentou.
Reiterando que o PSD vai apresentar no Parlamento um projecto de lei de bases da economia social, Passos Coelho considerou que não deve haver "um predomínio das soluções públicas" e que "o voluntariado tem de ter um outro tratamento" em termos de apoio do Estado.
Passos Coelho sintetizou desta forma a posição do PSD: "É o Estado não de pode demitir de fixar as regras e, ao mesmo tempo, de oferecer uma parte dos serviços, até porque já tem uma rede, um investimento feito. São os privados, que apesar de ganharem dinheiro, conseguem oferecer melhores condições às pessoas para escolherem melhores privados. E são todos aqueles que fazem parte da economia social, que redistribuem com qualidade crescente o resultado social da sua actividade. É neste tripé que nós devemos buscar salvar o nosso Estado social".
