O presidente da Associação 25 de Abril, Vasco Lourenço, lamentou hoje, quarta-feira, a morte do almirante Rosa Coutinho, considerando que o país "perdeu um patriota".
"Eu perdi um amigo, a Associação 25 de Abril perdeu um militante, Portugal perdeu um patriota", disse, em declarações à agência Lusa, lamentando que o almirante, que se destacou no pós 25 de Abril, tenha sido "fortemente caluniado".
"Direi mesmo que de nós todos militares de Abril foi aquele que se viu mais caluniado porque viu criar-se uma imagem distorcida da sua acção, nomeadamente em Angola, onde, ao contrário daquilo que o acusam, ele colocou sempre acima de tudo os interesses de Portugal", salientou.
"Custa-me ver as acusações infundadas que lhe fazem e as calúnias de que ele foi alvo durante toda a sua vida e continuará a ser", acrescentou.
Enaltecendo a "acção militar e as qualidades humanas" de Rosa Coutinho, o antigo capitão de Abril admitiu que teve no passado "algumas divergências muito fortes" com o almirante.
"Tive algumas divergências muito fortes com o almirante Rosa Coutinho, o que não impediu que tivesse por ele amizade, respeito e consideração. Tivemos algumas situações complicadas que soubemos ultrapassar porque se lutava por valores e não por interesses", comentou.
Vasco Lourenço recordou ainda que Rosa Coutinho se destacou como "um prestigiado e muito competente oficial de Marinha".
"O seu prestígio junto dos seus camaradas mais novos da Armada fazem com que seja convidado para integrar a Junta de Salvação Nacional. O seu patriotismo levou-o a empenhar-se fortemente nas missões que lhe foram cometidas depois do 25 de Abril. Destaco a Junta de Salvação Nacional, o Conselho da Revolução e o lugar de presidente da Junta Governativa de Angola", evocou.
