As declarações do primeiro-ministro sobre o processo "Face Oculta" e as alegadas escutas de que terá sido alvo poderão ou não prejudicar a sua imagem pública? Os politólogos contactados pelo JN divergem sobre o assunto.
Para José Adelino Maltez, professor catedrático da Universidade Técnica de Lisboa e da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, houve uma "má gestão da imagem" por parte de Sócrates. "A reacção leva-nos a ter uma imagem de um tipo acossado".
Adelino Maltez afirma ainda que "o engenheiro José Sócrates não está a saber distinguir a figura de José Pinto de Sousa da do primeiro-ministro, o que é importante para o escrutínio público".
Já o historiador e politólogo Rui Ramos considera que a reacção do chefe do Executivo é compreensível e aceitável. "O primeiro-ministro tem razão em questionar o modo como foram obtidas essas escutas e de exigir uma explicação às entidades que praticaram essas escutas, como qualquer cidadão tem", afirmou.
Rui Ramos acrescenta que "uma vez que não há acesso às transcrições das escutas, ninguém tem certezas do que foi dito e em que contexto foi dito. E isso é muito grave. É muito provável que o tribunal nunca liberte essa informação, ficando nós com uma classe política que vive de suspeitas".
António Costa Pinto, professor de Política e História Europeia Contemporânea no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, considera que a situação "não é fácil" para José Sócrates. "Para o bem e para o mal", sublinha, "existe uma proximidade pessoal com Armando Vara, que é arguido no processo. Quer o sistema judicial, quer o primeiro-ministro devem esclarecer o país".
