O tio e o primo de José Sócrates estão a ser investigados por crime de tráfico de influências. Em causa está o facto de alegadamente ter havido uma acção de intermediação para que o consultor do projecto Freeport, Charles Smith, fosse recebido pelo então ministro do Ambiente, em 2001, e a eventualidade de os familiares do actual primeiro-ministro terem sido compensados por isso.
Esta linha de investigação foi confirmada por Cândida Almeida, directora do Departamento Central de Investigação e Acção Penal, onde está a ser investigado o caso Freeport. A magistrada esclarece, porém, não serem, neste momento, considerados relevantes os indícios. Isto porque a Polícia Judiciária ainda se encontra a efectuar perícias financeiras e bancárias, faltando ainda, no entanto, informações de Inglaterra. E as suspeitas só serão consideradas relevantes se for encontrado rasto de circulação de dinheiro ou aquisição de bens relacionados com as pessoas investigadas. Haverá, então, lugar à constituição, como arguidos, do tio e primo de Sócrates.
Só numa eventual segunda linha é que serão investigadas as contas bancárias do actual primeiro-ministro, por suspeita de corrupção. Isto é, se a tal conduzir o resultado do cruzamento de informações sobre cerca de 15 pessoas referidas pelos ingleses, com base no DVD da gravação da conversa de Charles Smith com um administrador inglês do Freeport, em que afirma ter distribuído quatro milhões de euros - a verba cujo rasto se procura - por vários decisores que viabilizaram o projecto.
Em entrevistas, ontem, à RTP e SIC, a procuradora realçou que, no caso de não serem detectadas contrapartidas, os intervenientes - nomeadamente o tio e o primo de Sócrates - não poderão ser punidos. Tratar-se-á, apenas, de lóbi, que não constitui crime. Na hipótese de tráfico de influências, não é necessário que o então ministro do Ambiente estivesse combinado com os familiares para um crime de corrupção.
Cândida Almeida confirmou, ainda, que, tal como noticiou o JN, aquando da busca a Vasco Vieira de Almeida, o que estava em causa não era a própria sociedade de advogados, mas sim uma empresa associada - a "Vieira de Almeida Serviços".
