"Uma remodelação tão cedo seria um enfraquecimento", diz Marcelo rebelo de Sousa

O social-democrata Marcelo Rebelo de Sousa considerou que "seria mau para o Governo" se o ministro da Economia saísse do cargo e que "uma remodelação tão cedo seria um enfraquecimento" do executivo PSD/CDS-PP.
"Eu penso que nesta altura seria mau para o Governo uma remodelação tão cedo, a saída do ministro, mesmo que fosse por causa do problema dos fundos, seria um enfraquecimento do Governo. É muito cedo para o Governo, antes das autárquicas, começar a ter remodelações governamentais", afirmou.
Marcelo disse ainda não ver motivos para que Álvaro Santos Pereira se demita: "Ele não é afastado do processo, o ministro da Economia é mantido a coordenar tudo o que tem a ver com fundos, mas como acontece muitas vezes, até em decisões sobre empresas públicas, há o ministro da tutela e outras vezes o ministro das Finanças, simultaneamente, a decidirem".
O ex-presidente do PSD e comentador político falava aos jornalistas no final da sessão de apresentação do novo livro de Francisco Louçã e Mariana Mortágua, "Dividadura - Portugal na crise do euro", que esteve a seu cargo.
O ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, saiu esta segunda-feira da residência oficial do primeiro-ministro às 19.51 horas sem prestar declarações à comunicação social.
"Acho que faz sentido o ministro das Finanças ter um direito, uma última palavra em termos de controlo financeiro dos fundos que vêm de Bruxelas", disse Marcelo.
O antigo líder social-democrata assinalou que Álvaro Santos Pereira "continua a coordenar o que tem a coordenar", defendendo que o ministro das Finanças "não pode deixar de ter um poder último de intervenção, porque em última análise ele é que responde diretamente perante Bruxelas".
"Pense o que se pensar do ministro da Economia, e eu tive já ocasião de formular algumas críticas [a Álvaro Santos Pereira], sobretudo nos primeiros tempos à sensação de não aclimatação que ele tinha em relação a Portugal, na maneira de se inserir na realidade portuguesa, acho que é uma debilidade muito grande do Governo se o primeiro-ministro deixar cair o ministro da Economia", concluiu Marcelo.
Já o líder do BE, Francisco Louçã, não prestou declarações aos jornalistas.
