Política

"Empobrecimento é consequência das medidas", reconhece Passos Coelho

"Empobrecimento é consequência das medidas", reconhece Passos Coelho

O primeiro-ministro reconheceu esta terça-feira, em entrevista à SIC-Notícias, que "o empobrecimento é consequência das medidas de ajustamento" que o Governo tem vindo a empreender.

O primeiro-ministro refutou a acusação de que a sua aposta política consiste em empobrecer o país. "Não vejo que a sociedade portuguesa tenha de emagrecer para se salvar", disse, admitindo que o aperto de cinto - que continua a considerar inevitável - tem de facto essa consequência: "Não há nenhuma recessão que não traga consigo empobrecimento".

Num dia em que revelou que o défice público se situará este ano em 4,5% (ler texto em baixo), Passos Coelho afirmou-se indisponível para introduzir mais impostos sobre o capital, por recear a fuga. "Com um quadro muito mais oneroso, corremos o risco de ficar sem capitais", observou, explicando que tal cenário agravaria a situação económica do país.

O Governo, garantiu Passos, "não se deixará atrapalhar pela impopularidade das medidas". Tanto mais que, embora tendo tomado "como seu" o programa da troika, ele "não esgota todas as reformas que temos de fazaer", em domínios como as privatizações, a justiça, as leis laborais e a concorrência.

Sobre as privatizações, o primeiro-ministro revelou que a alienação da parcela pública de capital da EDP ficará decidida até ao Natal. "O que interessa é o mérito das propostas", disse, reconhecendo que a crise "penalizou o interesse que empresas europeias poderiam ter" (só uma, alemã, se envolveu no processo, juntamente com duas brasileiras e uma chinesa).

Crise tem causas externas

Grande parte da entrevista incididiu sobre questões europeias, o que permitiu ao chefe do Governo expor as suas ideias sobre as causas da crise das dívidas soberanas e, inclusivé, sobre as soluções para a debelar.

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Passos, que lamentou o facto de o Reino Unido ter ficado de fora de um acordo na cimeira europeia da semana passada, não afastou por completo - ao contrário do que tem vindo a defender - a possibilidade de o Banco Central Europeu cunhar moeda. "Não temos um governo europeu e não temos um tesouro europeu. É mau e é uma fragilidade". Emitida esta posição de princípio, limitou-se a reconhecer a ausência de condições políticas para seguir o caminho da impressão de moeda, ao notar que já foi muito difícil alcançar na cimeira um acordo em torno da disciplina orçamental.

Ausência de competitividade de algumas economias europeias - vulneráveis à crise financeira dos EUA - e risco de contágio, que cresceu "para além do razoável e dos instrumentos que tínhamos para os combater" constituem, na sua leitura, as causas da crise que a Europa hoje enfrenta.

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